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title: "A&O Shearman reserva US$ 1,1 bilhão para estratégia de IA"
author: "Lígia Lemos Maia"
date: "2026-11-07 06:10:58.098-03"
category: "Inteligência Artificial & Dados"
url: "https://desbugados.com.br/post/2026/11/07/ao-shearman-reserva-us-11-bilhao-para-estrategia-de-ia"
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## Resumo
- A A&O Shearman anunciou US$ 1,1 bilhão para sua estratégia de IA em cinco anos.
- Pelo menos 3% do tempo de cada prática jurídica será dedicado ao desenvolvimento tecnológico.
- A maior parte do investimento será composta por horas de trabalho de advogados.
- Em setembro de 2026, 93% dos advogados da firma usaram ferramentas de IA.
- As plataformas ContractMatrix e Harvey registraram mais de 558.000 atividades no período.
- A firma prevê menor dependência da cobrança por hora, embora o modelo não desapareça.
- A receita de taxas fixas cresceu cerca de 15% nos últimos dois anos.

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Em **5 de novembro de 2026**, a A&O Shearman anunciou um plano de **US$ 1,1 bilhão** para sua estratégia de inteligência artificial ao longo dos próximos cinco anos, conforme [reportado pela Reuters](https://www.reuters.com/legal/legalindustry/ao-shearmans-11-billion-ai-plan-builds-law-firms-tech-investments-2026-11-05/). O valor chama atenção porque a maior parte não será formada apenas por desembolsos financeiros: o escritório pretende transformar horas de trabalho jurídico em parte do investimento tecnológico. A mudança desloca a pergunta de quanto uma firma compra em software para quanto conhecimento jurídico ela está disposta a incorporar na construção dessas ferramentas.

## Quando a hora do advogado vira infraestrutura

A composição do plano ajuda a entender sua escala. A A&O Shearman prevê que cada prática jurídica dedique pelo menos **3% do tempo de suas equipes** ao desenvolvimento de ferramentas e serviços de IA especializados por área, enquanto a firma reúne quase **4.000 advogados**. As informações divulgadas não detalham quanto do US$ 1,1 bilhão corresponderá a gastos financeiros diretos e quanto virá dessas horas de trabalho. A cifra, portanto, mede também uma decisão organizacional: retirar parte do tempo normalmente dedicado aos clientes para criar instrumentos que poderão voltar ao trabalho jurídico em outra forma.

Essa escolha aproxima o advogado da oficina onde a tecnologia é construída. Hervé Ekué, sócio-gerente global da A&O Shearman, afirmou que o objetivo é **"combinar julgamento jurídico com escala tecnológica"**. A frase contém uma tensão prática: sistemas de IA podem ampliar a capacidade de processar informações, mas a firma quer que a experiência de suas próprias equipes determine como essas ferramentas serão desenhadas. O investimento entra, assim, na disputa entre grandes escritórios por liderança tecnológica, com o conhecimento profissional tratado como matéria-prima para produtos que também podem alcançar clientes externos.

## Da experimentação à mudança no contrato

A lógica do plano encontra respaldo no uso já registrado dentro da firma. Em setembro de 2026, **96% dos sócios** e **93% dos advogados** haviam utilizado ferramentas de IA, realizando mais de 558.000 atividades nas plataformas ContractMatrix e Harvey, segundo o [comunicado oficial da empresa](https://www.aoshearman.com/en/news/ao-shearman-accelerates-ai-strategy-with-a-usd11bn-lawyer-led-commitment). No mesmo período, a demanda pelos serviços ContractMatrix cresceu nove vezes em 12 meses. Esses números não dizem que o julgamento humano perdeu espaço; mostram que a adoção deixou de ser um teste restrito e passou a fazer parte do funcionamento cotidiano da organização.

É nesse ponto que o investimento começa a alcançar o modelo de negócio. A A&O Shearman projeta que a cobrança por hora, conhecida como **billable hour**, perderá importância com o uso da IA, embora não desapareça, enquanto a receita de taxas fixas cresceu cerca de **15% nos últimos dois anos**. O cliente tende a encontrar uma relação menos ligada ao relógio e mais ligada ao resultado contratado, mas as fontes não informam como essa transição afetará preços ou empregos específicos. Nos próximos cinco anos, o que estará em observação será justamente essa fronteira: até onde uma firma pode converter horas de especialistas em tecnologia sem dissolver a responsabilidade de quem assina o trabalho jurídico.