O Google atualizou o Data Manager em setembro de 2026 para transformar dados próprios de clientes e vendas em conexões mais diretas com ferramentas de publicidade e mensuração. A plataforma passou a reunir recursos de integração, análise e diagnóstico em torno de uma mesma estrutura, aproximando informações que antes ficavam separadas entre sistemas. O resultado prático para quem anuncia é uma forma mais organizada de levar dados às campanhas e avaliar o que eles acrescentam às conversões. A seguir, você vai entender como essa ponte funciona, quais conexões já estão disponíveis e qual recurso deve facilitar a medição de vendas realizadas em lojas físicas.

Uma ponte entre dados próprios e campanhas

Para começar, o Data Manager permite que anunciantes centralizem dados proprietários, incluindo informações de clientes e vendas, para utilização no Google Ads. Na prática, a ferramenta funciona como uma camada de organização: em vez de cada equipe manter suas próprias informações isoladas, os dados podem ser preparados para alimentar a operação de anúncios. O Google descreve essa base como first-party data, ou seja, dados próprios usados pelo anunciante em suas estratégias. A mudança interessa especialmente a empresas que já possuem registros comerciais, mas enfrentam dificuldade para conectá-los às campanhas.

Na camada de mensuração, a integração direta com o Google Analytics e o DV360 reduz a distância entre os dados de comportamento e os ambientes de mídia. O Google apresentou essa conexão como uma forma de quebrar silos, expressão usada para descrever informações presas em sistemas que não conversam entre si. A lógica é parecida com uma negociação diplomática: cada plataforma continua desempenhando sua função, mas passa a compartilhar informações por uma ponte comum. Para entender a infraestrutura por trás dessa ligação, o Google detalhou as mudanças em seu anúncio oficial sobre dados e mensuração.

API universal e uma nova forma de medir valor

Essa aproximação depende de uma API do Data Manager baseada no padrão IAB Tech Lab ECAPI. API é a interface que permite a um serviço solicitar ou enviar informações para outro, seguindo regras previamente definidas; neste caso, ela funciona como o protocolo da conversa entre diferentes pontos da operação de dados. A atualização universalizou essa camada para permitir conexões seguras, o que reduz a necessidade de criar integrações isoladas para cada destino. Para equipes técnicas, a adoção de um padrão comum torna a arquitetura mais previsível e facilita a manutenção das conexões ao longo do tempo.

Com os dados conectados, o Google Ads também passou a contar com a métrica Data Strength Uplift. O indicador foi criado para calcular conversões atribuídas ao uso de dados first-party, ajudando o anunciante a observar se as informações próprias acrescentam algo à medição das campanhas. A referência divulgada pelo Google é expressiva: anunciantes que utilizam integrações de dados offline e de aplicativos relataram aumento médio de 26% no ROAS incremental, métrica que procura medir o retorno adicional associado a uma ação. O número não representa uma promessa para toda operação, mas mostra qual resultado o Google está tentando tornar mensurável.

Mais portas de entrada para diferentes operações

Esse desenho também muda a forma de acesso ao Data Manager. A plataforma tornou-se universal e passou a permitir acesso por meio do Search Ads 360, serviço voltado à gestão de campanhas de busca. Para o anunciante, a mudança aproxima a organização dos dados do ambiente em que parte do trabalho de mídia já acontece. Em vez de tratar a integração como uma etapa separada e exclusivamente técnica, as equipes podem trabalhar a partir de uma interface associada à própria operação de anúncios. Essa aproximação é relevante porque reduz a distância entre quem administra informações e quem precisa aplicá-las em campanhas.

Na sequência dessa expansão, o Campaign Manager 360 também aparece entre os pontos de acesso ao Data Manager, enquanto o Mailchimp foi incluído entre as conexões diretas disponíveis. A combinação atende a dois momentos diferentes da jornada: de um lado, a gestão de campanhas; de outro, uma ferramenta usada para organizar contatos e comunicações. A ponte entre esses ambientes permite que o anunciante pense nos dados como uma conversa contínua, e não como arquivos que precisam ser movidos manualmente a cada nova ação. O valor da integração está justamente em diminuir as interrupções entre origem, tratamento e uso da informação.

Outras conexões diretas ampliam essa rede com o ActiveCampaign e o Klaviyo, duas plataformas citadas pelo Google na atualização. O Data Manager também passou a oferecer integração com o Google Drive, além de uma visualização em mapa para acompanhar a jornada dos dados e uma orientação personalizada para melhorar a configuração das conexões. O mapa ajuda a responder uma pergunta que costuma ficar escondida em projetos de integração: por onde a informação passou antes de chegar ao destino? Ao tornar esse caminho visível, a plataforma facilita a identificação de etapas que precisam de ajuste.

Diagnóstico técnico e qualidade na entrada dos dados

Para quem trabalha com integrações por código, a versão mais recente da API adicionou o método RemoveAllAudienceMembers, voltado à limpeza de listas de audiência. A mesma atualização trouxe avisos detalhados em nível de campo para problemas de validação durante a ingestão de dados. Ingestão é o processo de receber informações de uma fonte e prepará-las para uso em outro serviço; quando um campo chega com formato incorreto, o aviso detalhado ajuda a localizar o ponto da falha. O Google também publicou as mudanças no blog de desenvolvedores do Google Ads, reforçando que a atualização atende tanto à gestão de audiência quanto ao diagnóstico técnico.

Além da limpeza de listas e dos avisos de validação, a API ganhou suporte expandido para informações de endereço do usuário quando eventos são enviados para destinos no Google Analytics. Um evento é um registro de uma ação ou ocorrência que pode ser encaminhado para análise; nesse caso, a atualização amplia o tipo de informação de endereço que pode acompanhar esses registros. O ganho prático está na capacidade de preservar mais contexto durante o envio, desde que a operação utilize os dados e as conexões compatíveis com o recurso. A mudança completa a tentativa do Google de reduzir erros silenciosos e tornar mais claro o que acontece em cada etapa da transmissão.

Essa busca por clareza também aparece no Meridian, portal de mensuração que recebeu sinais de marca em seus modelos. Esses sinais acrescentam informações relacionadas à marca aos modelos usados para análise, enquanto o GeoX passou a estar disponível globalmente para experimentos causais baseados em geografia. Experimentos desse tipo comparam regiões para estimar o efeito de uma ação, em vez de observar apenas a movimentação geral das conversões. Assim, o Google amplia a discussão para além do envio de dados: a conexão precisa ajudar o anunciante a interpretar o resultado e separar associação de efeito medido.

O próximo passo para vendas realizadas em lojas

O próximo recurso anunciado mira uma dificuldade específica: medir vendas que acontecem fora da internet. Em 8 de setembro de 2026, Ginny Marvin, Google Ads Liaison, informou que o Data Manager permitirá vincular um CRM ou uma planilha para compartilhar dados de vendas em loja diretamente com o Google Ads. CRM é o sistema usado para reunir informações de relacionamento e vendas com clientes; ao aceitar esse tipo de origem, a ferramenta reduz a carga técnica necessária para levar operações presenciais à mensuração de campanhas. A previsão divulgada foi de lançamento nas semanas seguintes ao anúncio.

Na prática, a caixa de ferramentas que surge dessa atualização começa pela identificação dos dados de clientes e vendas que a empresa já possui, passa pela escolha das conexões disponíveis e termina na leitura do efeito dessas informações sobre as conversões. O Data Strength Uplift oferece uma maneira de quantificar a contribuição dos dados próprios, enquanto os diagnósticos da API ajudam a descobrir onde uma integração falhou. Para operações com lojas físicas, o próximo passo anunciado é ainda mais direto: conectar um CRM ou uma planilha ao Google Ads quando o recurso for liberado, aproximando a venda registrada no balcão da campanha que levou o cliente até lá.