A IFA 2026 ocorreu em Berlim de 4 a 8 de setembro, com os "Media Days" antecedendo o evento em 2 e 3 de setembro. A edição reuniu mais de 2.000 expositores e recebeu cerca de 240.000 visitantes de 155 países, enquanto sua programação concentrou-se em inteligência artificial e robótica. Para quem acompanha a tecnologia de consumo, a cobertura dos anúncios da feira ajuda a organizar uma sucessão de produtos que tentam levar capacidades antes associadas a laboratórios para dentro da casa, da sala de estar e das tarefas cotidianas.

Uma feira grande o bastante para testar novas ideias

Essa dimensão ajuda a entender por que a IFA funciona como uma vitrine tão ampla para produtos destinados ao público final. A organização da IFA 2026 confirmou números recordes e destacou a presença crescente de inteligência artificial. O evento encerrou com 240.000 visitantes, número que dá peso à variedade de anúncios apresentados durante os dias de exposição. Em vez de uma única promessa tecnológica, a feira reuniu soluções com funções diferentes, permitindo observar como a automação aparece tanto em aparelhos domésticos quanto em dispositivos de conectividade e entretenimento, uma transição que prepara o terreno para os produtos específicos apresentados a seguir.

Esse alcance também apareceu na relação entre tecnologia e criação de conteúdo. Entre os destaques esteve a parceria da Samsung com o "Creator Hub", iniciativa mencionada pela organização da feira. A edição também teve demonstrações de robôs humanoides, máquinas projetadas para reproduzir movimentos e interações em uma forma inspirada no corpo humano. A combinação entre ferramentas para criadores e máquinas capazes de operar fisicamente cria uma imagem curiosa da IFA: de um lado, dispositivos voltados à produção de imagens e ideias; de outro, equipamentos que tentam atuar no espaço material da casa, conexão que conduz naturalmente aos agentes de inteligência artificial apresentados por LG e Midea.

Quando a inteligência artificial chega à casa

Na demonstração da LG, a inteligência artificial apareceu na forma do chatbot "ThinQ Claw". Um chatbot é uma interface de conversa que permite ao usuário interagir com um sistema por meio de mensagens ou comandos, e o nome apresentado pela empresa coloca essa camada conversacional no centro da experiência doméstica. A notícia não descreve, nas informações disponíveis, todas as tarefas que o produto executará, mas registra sua introdução como parte da aposta da feira em agentes de IA para casas inteligentes. A pergunta prática para o consumidor passa a ser menos sobre a presença da sigla e mais sobre quais ações o sistema conseguirá realizar, ponto que ganha outra dimensão no anúncio seguinte.

Na mesma direção, a Midea apresentou o "SMART MASTER", descrito como um agente de inteligência artificial com suporte a 140 idiomas. O termo agente indica uma ferramenta pensada para receber instruções e participar de tarefas ou interações, em vez de apenas exibir informações de maneira passiva. O número de idiomas é o dado mais concreto do anúncio, pois mostra a escala linguística atribuída ao sistema pela apresentação da empresa. Ainda assim, a utilidade real dependerá das funções oferecidas em cada idioma e da maneira como o agente será integrado à casa, questões que ajudam a separar uma demonstração de palco de uma experiência cotidiana.

A robótica amplia o trabalho doméstico

Se os agentes de IA trabalham no campo da conversa, os robôs aspiradores apresentados na IFA atuam sobre uma tarefa física e bastante específica. A Ecovacs lançou a linha de robôs aspiradores DEEBOT X12S OmniCyclone, colocando a limpeza doméstica no centro de uma das frentes mais visíveis da automação para consumidores. O anúncio não depende de uma promessa abstrata: trata-se de uma categoria de aparelho associada a uma atividade concreta dentro de casa. A presença de uma nova linha nesse segmento mostra como a inteligência aplicada ao lar convive com máquinas desenhadas para percorrer ambientes e executar rotinas, antes de a feira ampliar esse movimento para outros métodos de limpeza.

Na sequência, a Dreame introduziu o aspirador robô Aqua20 Pro Ultra, equipado com tecnologia de limpeza a vapor. O vapor acrescenta uma característica específica ao produto, pois desloca a atenção da simples movimentação automática para o modo como a superfície será tratada durante a limpeza. A informação disponível não apresenta resultados de testes nem compara o aparelho com modelos anteriores, portanto o dado seguro está na combinação entre robô aspirador e recurso de vapor anunciada pela empresa. Essa cautela também ajuda a ler a novidade com clareza: a IFA mostrou uma função declarada, não uma garantia universal de desempenho, e a expansão da robótica continuou em um espaço ainda mais distante do chão da sala.

Esse espaço foi a piscina. A Roborock lançou o RockAqua P1, seu primeiro robô para limpeza de piscinas, levando a automação para uma superfície diferente daquela atendida pelos aspiradores domésticos tradicionais. A mudança de ambiente é relevante porque revela uma ampliação das tarefas que as empresas tentam transformar em rotinas automatizadas, embora o anúncio disponível não informe preço, disponibilidade ou especificações detalhadas do equipamento. O fato confirmado é a entrada da marca nessa categoria, e ele se encaixa no movimento geral da feira de apresentar robôs de serviço para diferentes áreas da vida cotidiana, enquanto as telas avançadas disputavam a atenção na área de entretenimento.

Telas mais brilhantes e conexões de próxima geração

Depois dos robôs, os anúncios da TCL levaram a conversa para a imagem. A empresa apresentou smartphones com tecnologia NXTPAPER AMOLED e televisores MiniLED com até 10.000 nits de brilho. AMOLED é um tipo de tela em que os próprios pixels produzem luz, enquanto nits é a unidade usada para indicar luminância, ou seja, a intensidade de brilho que uma tela consegue alcançar. A menção a 10.000 nits fornece uma medida objetiva para o destaque visual dos televisores, ao mesmo tempo que a tecnologia NXTPAPER AMOLED mostra a tentativa de diferenciar a experiência dos smartphones, conectando mobilidade e entretenimento no mesmo espaço de novidades.

Essa busca por experiências mais capazes também alcançou a conexão doméstica. O primeiro roteador Wi-Fi 8 da TP-Link foi apontado entre os lançamentos da IFA 2026. Wi-Fi 8 é apresentado como uma nova geração de tecnologia para redes sem fio, responsável por conectar dispositivos sem a necessidade de cabos entre eles. Como o material disponível não detalha velocidade, alcance ou preço do equipamento, não há base para afirmar ganhos específicos nesses pontos. O que se pode dizer é que a feira colocou a conectividade ao lado das telas e dos agentes de IA, lembrando que uma casa com aparelhos inteligentes depende de uma rede capaz de interligar esses dispositivos, antes dos anúncios voltados a eletrodomésticos e marcas de imagem.

Além da conexão, a organização da IFA destacou inovações em eletrodomésticos com inteligência artificial da Miele e uma presença forte da Dyson com a linha "Dyson Unveiled". Os dois anúncios ampliam a leitura da feira para além de telas e robôs aspiradores, porque mostram marcas de produtos domésticos usando a inteligência artificial e novas linhas de hardware como parte de sua apresentação ao público. As informações disponíveis não especificam os modelos da Miele nem os aparelhos reunidos pela Dyson, mas registram a presença dessas iniciativas na edição. O efeito é uma feira em que a tecnologia aparece menos como peça isolada e mais como camada distribuída por diferentes objetos de uso diário.

O que a IFA 2026 deixa como régua para o consumidor

Vista em conjunto, a IFA 2026 oferece uma régua simples para interpretar promessas tecnológicas: observar qual tarefa cada produto tenta executar e qual medida concreta acompanha essa proposta. O "SMART MASTER" foi associado ao suporte a 140 idiomas; o televisor MiniLED da TCL foi apresentado com até 10.000 nits; o RockAqua P1 entrou na categoria de limpeza de piscinas. Esses dados não respondem a todas as dúvidas sobre preço, disponibilidade ou desempenho, mas ajudam a deslocar a conversa do encantamento provocado pelos nomes para a função anunciada. A tecnologia fica mais compreensível quando a pergunta deixa de ser "quão futurista parece?" e passa a ser "o que exatamente ela fará?".

O próximo passo para quem acompanha esses lançamentos é manter essa distinção entre demonstração e uso prático. A edição terminou com 240.000 visitantes e apresentou inteligência artificial, robótica e conectividade como partes centrais da experiência de consumo, mas cada produto ainda precisa ser avaliado pela tarefa que assume, pelo dado que consegue comprovar e pelo espaço que ocupará na rotina. Esse método transforma a IFA 2026 em algo mais útil do que uma coleção de nomes: uma oportunidade para entender como agentes conversacionais, robôs de serviço e telas de alto brilho estão sendo apresentados ao público, sem entregar o julgamento crítico ao brilho do palco.