Quando os dados de uma fábrica ficam espalhados entre sistemas desconectados, planilhas e processos manuais, cada decisão passa a depender de uma reconstrução demorada do que está acontecendo na operação. Foi para enfrentar esse problema que a Custom Beverage Concepts (CBC), empresa do setor de bebidas, selecionou as soluções Plex de execução de manufatura e gestão empresarial da Rockwell Automation, em anúncio feito em 23 de junho de 2026. A proposta é conectar a produção ao restante da administração da empresa, ampliando a visibilidade sobre os dados e criando uma base para decisões orientadas por informações mais atualizadas. Ao longo deste artigo, vamos desbugar o papel de cada sistema e mostrar por que a conexão entre eles importa para a fábrica.

O problema que a CBC quer desatar

A decisão parte de uma dor operacional bem definida: a CBC buscava melhorar a visibilidade dos dados, acompanhar a eficiência da produção e produzir relatórios customizados sem depender de fluxos fragmentados. A própria descrição do projeto aponta que a empresa queria superar sistemas desconectados e processos manuais, dois obstáculos que dificultam a conversa entre a área produtiva e a gestão. Em uma analogia simples, é como tentar administrar uma fábrica em que cada departamento fala uma língua diferente: a informação existe, mas chega tarde, repetida ou sem o contexto necessário. A seleção do Plex foi apresentada como uma resposta a essa dificuldade de integração, e não apenas como uma troca de software. O anúncio oficial da Rockwell Automation detalha essa escolha e seus objetivos.

Essa conexão também busca reduzir a entrada redundante de informações, segundo Ty Cartwright, proprietário da CBC. O ponto parece administrativo, mas tem efeito direto sobre a operação: quando a mesma informação precisa ser digitada em mais de um lugar, aumenta a distância entre o que aconteceu na fábrica e o que aparece nos registros usados pela gestão. A transição para operações orientadas por dados, mencionada por Cartwright, coloca a informação no centro do processo de decisão e procura diminuir o trabalho repetitivo associado ao registro manual. A pergunta que fica para qualquer indústria é direta: quantas horas da equipe são gastas transportando dados de um sistema para outro, em vez de interpretar o que esses dados estão dizendo?

MES e ERP como pontes entre a fábrica e a gestão

Para entender a proposta, é preciso separar os papéis sem tratar os sistemas como ilhas. MES é a sigla em inglês para Manufacturing Execution System, ou sistema de execução de manufatura, e está associado ao acompanhamento do que acontece na operação produtiva. ERP significa Enterprise Resource Planning, ou sistema de gestão empresarial, e organiza informações usadas pela administração do negócio. No caso da CBC, a seleção conjunta dos dois tipos de solução cria uma ponte entre a execução industrial e a visão empresarial. O valor dessa arquitetura está justamente no diálogo: o que acontece na produção pode alimentar a gestão, enquanto as necessidades administrativas deixam de ficar separadas da realidade observada na fábrica.

Essa ponte ganha uma camada adicional porque a plataforma Plex foi descrita como uma solução baseada em nuvem, ou seja, um ambiente digital hospedado para centralizar o acesso às informações. O material sobre a implantação menciona uma única plataforma para a gestão das operações, com dados em tempo real, relatórios automatizados e maior visibilidade industrial. Em vez de imaginar a nuvem como um lugar abstrato, pense nela como uma sala de conversas compartilhada: cada área consulta a mesma base e reduz a necessidade de manter cópias isoladas da informação. Essa característica aproxima o dado operacional das decisões de gestão, preparando o terreno para o acompanhamento da produção em uma escala maior.

O que muda quando a produção conversa com os dados

Na prática, a CBC também buscava acompanhar a produção em relação aos períodos de downtime, termo usado para indicar o tempo em que a operação fica parada ou indisponível. Essa comparação entre o que foi produzido e o tempo de inatividade ajuda a transformar uma interrupção em informação analisável, em vez de deixá-la registrada apenas como uma ocorrência isolada. As fontes também associam a escolha do Plex à melhoria da visibilidade dos dados de produção, à precisão do estoque e à gestão da qualidade. O anúncio não apresenta esses ganhos como resultados já medidos, mas como objetivos da implementação, uma distinção importante para não confundir a promessa do projeto com um desempenho comprovado após a implantação.

O ganho esperado está na velocidade com que a empresa consegue fazer perguntas operacionais e encontrar respostas conectadas. Se produção, estoque e qualidade ficam em fluxos separados, a equipe precisa conciliar informações antes de decidir; se os registros passam a circular por uma base integrada, a conversa tende a começar com dados mais próximos do momento em que o fato ocorreu. Michael Hart, da Rockwell Automation, relacionou a solução à escalabilidade e à execução confiável em nível de máquina. Em termos simples, isso significa preparar a operação para crescer mantendo a conexão entre o que acontece no chão de fábrica e a visão usada nos níveis corporativos, em vez de ampliar a quantidade de sistemas isolados junto com a capacidade produtiva. A análise técnica sobre o projeto apresenta essa relação entre dados, execução e crescimento futuro.

A implementação começa antes da instalação

Conectar sistemas exige mais do que ativar uma plataforma, porque a tecnologia precisa encontrar processos que já possuem hábitos, registros e formas próprias de trabalho. Por isso, a participação da Control+M Solutions aparece como parte relevante do projeto. A empresa atua como integradora de sistemas e é identificada como Gold System Integrator da Rockwell Automation. O integrador funciona, nesse contexto, como uma ponte entre a solução escolhida e a operação que precisa utilizá-la, ajudando a organizar a implementação em torno das necessidades apresentadas pela CBC. A colaboração foi citada como um fator para tornar a transição de sistemas legados ou fluxos manuais para o ambiente Plex mais rápida e eficiente.

A CBC também adotou uma etapa de preparação antes dos workshops de implementação. A equipe realizou treinamentos no Plex Boot Camp e no Plex Education Portal, iniciativa descrita como uma forma de acelerar a implantação. Esse detalhe muda a leitura do projeto: a conexão entre plataformas depende igualmente da conexão entre pessoas e processos. Quando a equipe entende a ferramenta antes dos encontros de implementação, os workshops podem se concentrar na adaptação da solução à operação, em vez de começar pela apresentação básica do sistema. A capacitação, portanto, aparece como parte da própria estratégia de integração e não como uma atividade separada do projeto técnico.

O próximo passo é transformar conexão em rotina

A seleção do Plex coloca a CBC diante de uma mudança de método: sair de informações distribuídas e tarefas de registro repetitivas para uma operação em que os dados possam circular entre a produção e a gestão. O ponto central não é acumular mais telas ou criar uma camada adicional de complexidade, mas permitir que a empresa acompanhe a operação com maior visibilidade, observe a relação entre produção e inatividade e organize relatórios de acordo com suas necessidades. Como a implementação ainda é apresentada como um projeto em andamento, a medida concreta de sucesso será a capacidade de fazer essa conexão funcionar na rotina, com precisão suficiente para apoiar decisões e sem devolver a equipe aos antigos controles manuais.

O próximo passo anunciado é justamente conduzir essa implementação com o apoio da Control+M Solutions, aproveitando a preparação feita pela equipe da CBC e a integração entre os recursos de MES e ERP da Plex. A meta declarada é criar uma base escalável, com dados integrados em nível de planta e corporativo, para apoiar o crescimento futuro da empresa. Para quem observa a transformação digital industrial, a lição é prática: antes de perguntar qual ferramenta comprar, vale mapear onde os dados se perdem, quais processos ainda exigem repetição e que informação precisa chegar mais rápido à decisão. É nessa investigação que uma plataforma deixa de ser um sistema isolado e começa a funcionar como uma ponte entre pessoas, máquinas e gestão.