Em setembro de 2026, durante a IFA em Berlim, a Winseed lançou a iniciativa "ONE QUESTION AT IFA" para investigar uma mudança silenciosa na forma como consumidores descobrem, comparam e escolhem marcas. A empresa de infraestrutura de marketing focada em inteligência artificial entrevistou 50 líderes do setor de tecnologia e eletrônicos de consumo e levou ao centro da feira uma pergunta que altera a lógica tradicional da visibilidade digital: uma marca quer apenas aparecer em uma lista de resultados ou deseja ser escolhida como resposta por um assistente de IA? A estreia da iniciativa na IFA 2026 ajuda a desbugar essa transição, mostrando por que a posição ocupada em uma busca já não resume a maneira como uma empresa pode ser encontrada.

Quando a busca deixa de ser uma lista

Essa mudança de foco aparece na tese central apresentada pela Winseed: o marketing precisa sair da visibilidade medida por rankings e avançar para a capacidade de ser a resposta recomendada por sistemas de inteligência artificial. A diferença parece sutil, mas muda a pergunta feita pelas equipes de comunicação. Em uma busca organizada por posições, o objetivo é disputar um lugar entre os resultados exibidos; em uma recomendação, a marca precisa fazer parte da resposta que o sistema monta para atender a uma necessidade específica. A IA generativa, termo usado para sistemas capazes de produzir respostas a partir de diferentes informações, passa a ocupar o ponto de encontro entre a pergunta do consumidor e as referências usadas para respondê-la. É uma mudança de linguagem, mas também de estratégia.

Essa diferença fica mais nítida quando se observa como os assistentes de IA formam suas respostas. Segundo a cobertura publicada pelo Yahoo Finance, esses sistemas reúnem múltiplos sinais, incluindo descrições de varejistas, reportagens, avaliações e opiniões de especialistas. A marca, portanto, aparece diante da inteligência artificial como um conjunto de informações espalhadas por diferentes contextos, e não apenas como uma página que ocupa determinada posição em um mecanismo de busca. Para o consumidor, o efeito pode ser uma recomendação já organizada, com alternativas apresentadas em uma mesma resposta. Para a empresa, a pergunta passa a ser mais exigente: seus produtos estão descritos de maneira clara, consistente e confiável nos lugares que ajudam a formar essa resposta?

O que a iniciativa investiga em Berlim

A própria estrutura da iniciativa mostra que a Winseed quis observar essa transformação a partir de diferentes vozes do mercado. A empresa entrevistou 50 líderes durante a IFA 2026 para analisar como a inteligência artificial generativa altera a descoberta e a escolha de marcas pelos consumidores. A feira, realizada em Berlim, serviu como ponto de encontro para uma conversa que vai além da apresentação de uma nova ferramenta de marketing, porque coloca profissionais de tecnologia e eletrônicos de consumo diante de uma interrogação comum: como uma empresa será reconhecida quando o consumidor deixar de navegar por páginas e passar a pedir uma orientação direta? A resposta ainda está sendo formulada, mas a Winseed escolheu registrar o debate antes de transformá-lo em uma conclusão única.

O projeto também tem um desdobramento anunciado. Após o evento, a Winseed planeja publicar o ranking das "30 Marcas de Tecnologia Mais Recomendadas por IA", uma lista que deverá traduzir parte da investigação realizada em Berlim. O ranking não foi apresentado nas informações disponíveis como um resultado já divulgado, e sim como o próximo passo da iniciativa, o que preserva uma diferença importante entre a pesquisa feita durante a feira e a classificação que virá depois. Essa distinção ajuda a entender o papel do projeto: primeiro, ouvir líderes e examinar os sinais que alimentam recomendações; em seguida, organizar uma leitura pública sobre quais marcas aparecem com mais força nesse novo tipo de descoberta.

O novo trabalho de ser compreendida

A partir dessas entrevistas, a Winseed defende que uma marca precisa ser entendida, confiável e relevante para figurar como recomendação direta de uma inteligência artificial. As três palavras funcionam como uma espécie de teste de legibilidade digital. Ser entendida significa oferecer informações que permitam interpretar corretamente o produto e sua proposta; ser confiável envolve aparecer apoiada por referências que sustentem essa interpretação; ser relevante indica que a marca precisa estar relacionada à pergunta feita pelo consumidor. A empresa não descreve esse processo como uma simples corrida por mais exposição. A questão passa a ser a qualidade da presença distribuída entre descrições técnicas, avaliações, notícias e outros registros consultados por sistemas que consolidam diferentes sinais.

Essa lógica também explica por que a presença na primeira página de uma busca pode ser insuficiente, segundo a tese apresentada pela empresa. Uma marca pode ocupar uma posição visível e, ainda assim, não ser a resposta selecionada quando o usuário pede uma recomendação comparativa. A diferença entre as duas situações está no tipo de relação que se estabelece com a informação: a busca entrega um conjunto de caminhos, enquanto o assistente organiza uma resposta a partir de contextos que considera relacionados à pergunta. Para quem trabalha com marketing, a aplicação prática dessa ideia começa por uma revisão menos superficial da presença digital. Em vez de observar somente posições, a equipe precisa perguntar se as informações disponíveis formam uma descrição coerente e reconhecível quando lidas em conjunto.

O próximo movimento da Winseed

A iniciativa apresentada na IFA também se conecta à definição de uma infraestrutura de marketing de próxima geração. O registro publicado pelo Germany's Consumer Products Digest afirma que a empresa propõe ir além da visibilidade e concentrar esforços em clareza, consistência e autoridade, características que ajudam os sistemas de IA a interpretar uma marca corretamente. Em termos práticos, a proposta desloca a atenção da simples presença para a relação entre as informações que circulam sobre uma empresa. Quando uma descrição de produto, uma avaliação e uma reportagem apontam para entendimentos incompatíveis, a recomendação pode enfrentar uma base menos clara; quando esses registros se reforçam, a marca se torna mais legível para o sistema, de acordo com a tese apresentada pela Winseed.

Por isso, o próximo passo anunciado merece mais atenção do que a novidade de uma lista. A publicação do ranking com as 30 marcas de tecnologia mais recomendadas por IA deverá mostrar como a empresa pretende transformar a discussão iniciada com 50 líderes em uma referência pública sobre descoberta orientada por inteligência artificial. Até lá, o aprendizado mais concreto da IFA 2026 está na mudança da pergunta: a disputa digital deixa de ser medida somente pelo lugar ocupado em uma página e passa a envolver a maneira como uma marca é descrita, validada e relacionada a uma necessidade. Quando uma máquina responde por onde começar uma compra, quem decide o que será lembrado? A Winseed levou essa pergunta a Berlim e anunciou que continuará procurando a resposta depois da feira.