O ritmo de receita anualizada da Anthropic chegou a US$ 65 bilhões no fim de julho de 2026, superando os US$ 40 bilhões reportados recentemente pela OpenAI, em uma disputa que transforma métricas financeiras em um novo placar para a inteligência artificial. A diferença nominal é de US$ 25 bilhões, mas o dado precisa ser lido com cuidado: run rate, ou ritmo de receita anualizada, é a métrica usada pelas empresas para projetar quanto faturariam ao longo de um ano caso mantivessem o ritmo atual. As duas companhias também prepararam documentação confidencial para um IPO, oferta pública inicial de ações, e a Anthropic mira uma avaliação superior a US$ 2 trilhões. O ponto central, portanto, não é apenas quem tem o maior número hoje, mas quem consegue convencer investidores de que esse crescimento continuará.
O salto de receita que colocou a Anthropic na frente
Esse avanço da Anthropic ganhou velocidade em poucos meses. O ritmo de receita anualizada passou de US$ 9 bilhões no fim de 2025 para US$ 47 bilhões em maio de 2026, antes de alcançar US$ 65 bilhões no encerramento de julho. A sequência mostra uma aceleração concentrada no primeiro semestre, e os dados divulgados sobre a receita anualizada ajudam a entender por que a empresa passou a ser comparada diretamente com a OpenAI. Segundo as informações reunidas pela TechCrunch, a companhia projeta terminar 2026 com receita entre US$ 100 bilhões e US$ 120 bilhões, uma faixa que já coloca o faturamento anual projetado acima do ritmo anualizado registrado no fim de julho. A próxima pergunta é se a receita trimestral confirma esse movimento.
Além do ritmo anualizado, a receita preliminar do segundo trimestre da Anthropic chegou a US$ 11,5 bilhões, crescimento de 14 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior. Outro levantamento apontou que o valor ficou mais de 140% acima dos US$ 4,73 bilhões registrados no primeiro trimestre. Esses números usam duas comparações diferentes, uma com o mesmo trimestre do ano anterior e outra com o trimestre imediatamente anterior, mas as duas apontam para a mesma direção: a empresa ampliou rapidamente a receita entre períodos consecutivos. Para quem acompanha o setor, essa distinção evita misturar o faturamento de um trimestre com o ritmo anualizado e prepara o terreno para entender por que a OpenAI aparece em posição diferente na mesma corrida.
OpenAI fica atrás na métrica anualizada, mas mantém escala corporativa
Do outro lado da comparação, a OpenAI reportou um ritmo de receita anualizada de US$ 40 bilhões. O valor fica US$ 25 bilhões abaixo do número atribuído à Anthropic, embora ambas continuem descritas como as principais competidoras no setor de inteligência artificial generativa. A diferença não encerra a disputa, porque o próprio material sobre a OpenAI aponta uma composição específica para esse faturamento: a empresa prevê que metade do ritmo de receita venha de clientes corporativos até o fim de 2026. Cliente corporativo é a empresa que contrata a tecnologia para uso profissional, em vez de acessá-la apenas como consumidor individual. Essa divisão entre usuários e organizações ajuda a explicar por que a receita virou uma medida tão observada antes das possíveis ofertas públicas.
Essa posição da OpenAI também mostra por que o placar precisa ser acompanhado ao longo do tempo, e não tratado como uma vitória definitiva. A Anthropic lidera o ritmo anualizado citado na pauta, enquanto a OpenAI aparece com US$ 40 bilhões e uma previsão de que os contratos empresariais respondam por metade desse valor até o fim do ano. O material disponível não apresenta uma comparação completa de margens, custos de infraestrutura ou lucro entre as duas empresas, portanto o dado mais seguro é o tamanho da receita anualizada informado para cada uma. A corrida passa a depender dos próximos números divulgados e da capacidade de transformar projeções em faturamento efetivamente registrado.
O IPO transforma projeções em teste para os investidores
Os números de receita estão ligados ao próximo movimento financeiro das duas empresas. Anthropic e OpenAI prepararam documentação confidencial para IPO, mas a Anthropic aparece com uma meta de avaliação superior a US$ 2 trilhões. Uma avaliação é o preço estimado da companhia em uma negociação ou oferta de ações, e não dinheiro já recebido no caixa. No caso da Anthropic, as negociações também usam como referência uma projeção de receitas entre US$ 190 bilhões e US$ 200 bilhões para 2028. A oferta pública planejada para 2026, portanto, pode ser analisada pelos investidores à luz de números atuais e de expectativas para os próximos anos.
As projeções de prazo mais longo ajudam a dimensionar a aposta. Para 2026, a Anthropic prevê receita entre US$ 100 bilhões e US$ 120 bilhões; para 2028, a faixa mencionada sobe para US$ 190 bilhões a US$ 200 bilhões. Não se trata do mesmo indicador que o ritmo anualizado de US$ 65 bilhões registrado em julho, e essa separação é uma das ferramentas mais úteis para interpretar a notícia: o primeiro número descreve o ritmo anualizado citado no período, enquanto os demais são projeções de receita futura. A avaliação acima de US$ 2 trilhões depende justamente de como o mercado aceitará essas estimativas quando a empresa avançar com o IPO.
O que a corrida bilionária muda na leitura da IA
Há ainda um cuidado necessário ao interpretar a liderança da Anthropic. O ritmo de receita anualizada é baseado em projeções de curto prazo, e o dado apresentado para julho mostra um crescimento de sete vezes desde o encerramento de 2025. Isso torna o número expressivo, mas também indica que ele deve ser lido junto com a receita preliminar do segundo trimestre e com as previsões para 2026 e 2028. Em vez de tratar os US$ 65 bilhões como faturamento anual já encerrado, o leitor pode acompanhar se a empresa repete o avanço nos próximos períodos. Essa diferença entre ritmo, receita trimestral e projeção é o ponto que desbuga a manchete e conduz à pergunta sobre o próximo passo.
Esse próximo passo está ligado ao IPO planejado para 2026, que colocará as estimativas financeiras sob a avaliação do mercado público caso avance. A Anthropic terá de sustentar a distância aberta sobre a métrica anualizada, enquanto a OpenAI seguirá sendo comparada a partir dos US$ 40 bilhões e da previsão de que metade desse valor venha de clientes corporativos até o fim do ano. Para acompanhar a disputa sem cair em um único placar, vale separar três referências: o ritmo anualizado, a receita efetivamente registrada em cada trimestre e as projeções para os anos seguintes. Os próximos números divulgados dirão se a vantagem de julho foi apenas um salto acelerado ou o início de uma liderança mais duradoura.