Três empresas brasileiras de setores diferentes — uma fabricante de implementos rodoviários, uma rede de restaurantes e uma seguradora — adotaram soluções tecnológicas pontuais e registraram melhorias concretas em números de vendas, produtividade e maturidade operacional, segundo reportagens publicadas em julho de 2026. O fio que une os casos é a decisão de resolver gargalos específicos em vez de apostar em tecnologia genérica. Se o problema é informação dispersa em sistemas diferentes, então a solução escolhida foi centralizar em um CRM. Se o desafio é análise manual de dados financeiros e suprimentos, então a empresa optou por agentes de IA que qualquer colaborador pode criar sem programação. Senão, o risco seria continuar com processos manuais lentos e suscetíveis a erros. Os resultados, medidos após a implementação, mostram que a abordagem direta gera impacto mensurável.
Truckvan centraliza dados e encurta ciclo de vendas com Ploomes
A Truckvan, fundada em 1992 e parte do Grupo Vamos, sediada em Guarulhos com parque fabril superior a 70 mil m², adotou o CRM da Ploomes em 2026 após indicação de parceiro que destacou a intuitividade da ferramenta. O objetivo era reunir informações que estavam espalhadas em sistemas diferentes, o que dificultava o acompanhamento de negociações e o pipeline de vendas. Após a implementação, a empresa registrou aumento de 60% na geração de negócios, 80% no cadastro de clientes e até 50% no volume de propostas, além de reduzir o ciclo de vendas de até 90 dias para média entre 25 e 30 dias, uma queda de 67%. A coordenadora de administração de vendas Ana Paula Fancelli confirmou que propostas agora são geradas em menos de cinco minutos. Se a informação não estivesse centralizada, então o tempo de resposta ao cliente continuaria longo e o risco de perder negócios aumentaria. A Ploomes integra-se ao Ecossistema Sankhya desde 2022, o que facilitou a conexão com outros sistemas já usados pela empresa.
L'Entrecôte de Paris cria agentes próprios com Tess AI para análises operacionais
A rede L'Entrecôte de Paris, fundada em 2009 e parte do grupo SMZTO, com 35 unidades entre salões e dark kitchens, decidiu incorporar inteligência artificial nas operações da franqueadora. A plataforma escolhida foi a Tess AI, criada pela Pareto, spin-off com operação no Vale do Silício, que permite criar IAs personalizadas sem necessidade de conhecimento técnico e oferece acesso a mais de 250 modelos além de integração com mais de 600 aplicativos. Os agentes desenvolvidos internamente atuam em análises financeiras, gestão de suprimentos e programa de excelência. A diretora executiva Glaucia Fernandes explicou que qualquer colaborador pode criar esses agentes de forma simples. Se a empresa não tivesse optado por uma ferramenta acessível, então apenas equipes técnicas conseguiriam usar IA e o ganho ficaria restrito a poucos setores. O plano de expansão para novos franqueados torna ainda mais relevante a padronização de processos via agentes de IA.
AXA eleva maturidade de integrações e reduz incidentes com CoE
A AXA Brasil, presente no país desde 2015 com 600 colaboradores — 115 deles em TI — e responsável por 3 milhões de clientes e 40 milhões de transações anuais, iniciou em 2023 um diagnóstico que revelou baixa maturidade em integrações. Com apoio da PSW Digital, a seguradora implementou API Gateway da SoftwareAG, migrou para modelo de API puro e adotou a solução Digibee. Criou um Centro de Excelência centralizado que elevou a maturidade de nível 1 para 4, com meta de alcançar nível 5 até o fim de 2026. Em 2025, o sistema processou mais de 28 milhões de chamadas de APIs com disponibilidade de 99,82% e taxa de sucesso de 99,8%. O vice-presidente de transformação, tecnologia, dados e operações Bruno Porte destacou redução de 40% em incidentes recorrentes, 50% em retrabalho e aumento de 30% na produtividade. Se a maturidade permanecesse em nível 1, então o volume de retrabalho e incidentes continuaria alto e a produtividade não subiria. O projeto mostra que diagnósticos iniciais seguidos de ferramentas específicas produzem efeitos mensuráveis em ambientes de alta transação.
Caixa de Ferramentas: próximos passos para aplicar o mesmo raciocínio
Identifique primeiro o gargalo operacional mais custoso, seja tempo de ciclo de vendas, análise manual de dados ou baixa maturidade em integrações. Escolha a ferramenta que resolve exatamente esse ponto e que permita mensuração clara de resultados, como aumento percentual de negócios ou redução de incidentes. Acompanhe os indicadores por pelo menos seis meses após a implementação para confirmar se a lógica se confirma na prática. Se os números não aparecerem, revise o processo de integração ou o treinamento da equipe. Esses três casos mostram que empresas de portes e setores diferentes obtêm ganhos reais quando partem de problemas concretos e não de modismos tecnológicos.