Você já caminhou por um parque ou trilha e se perguntou qual era o nome daquela árvore imponente à sua frente? Esse é o bug que o FloraTrack resolve de forma simples e direta: aponte a câmera do celular, tire a foto e receba na hora o nome popular, o nome científico e até o registro automático no inventário digital quando a inteligência artificial tiver confiança suficiente na identificação.
Como o FloraTrack transforma a câmera em ferramenta de inventário
O aplicativo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Federal do Amazonas (IFAM) usa modelos de aprendizado de máquina para analisar a foto da árvore e comparar características visuais com um banco de dados treinado. Quando a IA alcança o nível de confiança necessário, ela fornece o nome popular e o nome científico, além de registrar automaticamente a ocorrência no inventário digital com georreferenciamento; se a confiança for baixa, o sistema informa claramente que não pode confirmar a espécie e deixa o usuário ciente da limitação. Essa abordagem prática evita erros em campo e mantém a transparência sobre o que a tecnologia consegue ou não entregar no momento.
Além da identificação, o FloraTrack integra georreferenciamento que alimenta um mapa interativo, armazenamento em nuvem para acesso remoto e QR Codes fixados nas árvores para consulta rápida posterior. Essas funcionalidades conectam a experiência individual de um passeio ou trabalho de campo a um sistema coletivo de dados que pode ser usado por educadores, pesquisadores e gestores ambientais. O resultado é uma ferramenta que traduz o complexo processo de reconhecimento botânico em algo acessível a qualquer pessoa com um celular nas mãos.
Testes reais mostram boa usabilidade entre especialistas
Antes de chegar ao público, o aplicativo passou por avaliação com 18 especialistas nas áreas de educação ambiental, botânica e tecnologia. Eles atribuíram ao FloraTrack a nota de 84,4 pontos na escala SUS, métrica que considera o aplicativo bom a excelente em termos de facilidade de uso, eficiência e satisfação. Essa pontuação reflete testes práticos em que os participantes usaram o app em situações reais de identificação e inventário, validando tanto a precisão da IA quanto a interface pensada para quem está no campo.
O estudo completo foi apresentado no XVII Computer on the Beach, em Florianópolis (SC), em 2026, sob o título “FloraTrack: Desenvolvimento e Avaliação de uma Ferramenta Digital para Inventário Arbóreo e Educação Ambiental”, com autoria de Tae Yang Chung, Ana Júlia Fernandes de Sousa e Fabiann Matthaus D. Barbosa. Os dados concretos de usabilidade reforçam que a solução não é apenas uma ideia teórica, mas um protótipo já avaliado por quem entende do assunto e que pode evoluir com base em feedback real.
Próximos passos mantêm o foco em acessibilidade e educação
Os desenvolvedores planejam ampliar os testes para incluir estudantes e adicionar funcionamento offline, permitindo que o aplicativo continue útil mesmo em áreas sem conexão de internet. Essas melhorias mantêm o compromisso com a educação ambiental prática, pois estudantes poderão usar a ferramenta durante aulas de campo sem depender de sinal constante. O FloraTrack já demonstra como a inteligência artificial de aprendizado de máquina pode ser aplicada de forma direta para mapear e proteger o patrimônio arbóreo, transformando uma foto simples em dado útil para conservação.
Caixa de ferramentas: o que você pode fazer agora
Observe árvores no seu entorno e experimente a lógica do app: tire fotos de diferentes ângulos, note as condições de luz e compare os resultados quando a IA confirma ou recusa a identificação. Compartilhe as descobertas com colegas ou alunos para construir coletivamente um inventário local. Fique atento aos próximos testes com estudantes e à versão offline que ampliará o alcance da ferramenta. Com o FloraTrack, a tecnologia deixa de ser obstáculo e se torna aliada para entender e cuidar do ambiente ao nosso redor.