No dia 30 de junho de 2026 o canal Inteli – Instituto de Tecnologia e Liderança publicou o episódio do Inteli Insights com o professor Bryan Kano, que detalha como a inteligência artificial e a computação quântica vão alterar a forma como protegemos informações no mundo digital. O “bug” que o especialista coloca em evidência é simples: a criptografia que hoje garante a confidencialidade de transações bancárias, comunicações governamentais e dados pessoais pode deixar de ser confiável quando computadores quânticos suficientemente poderosos entrarem em operação. O professor não apenas descreve o problema, mas também aponta caminhos práticos de preparação que qualquer organização ou profissional pode começar a adotar agora.

A criptografia como alicerce invisível da segurança

Bryan Kano inicia a conversa lembrando que a criptografia é a base da segurança da informação e que, sem ela, nenhum sistema digital mantém integridade ou confidencialidade por muito tempo. Ele explica que algoritmos clássicos como RSA e ECC dependem da dificuldade computacional de fatorar números grandes ou resolver logaritmos discretos, tarefas que um computador quântico executa de forma eficiente graças ao algoritmo de Shor. A ameaça não é imediata, mas a janela de tempo para a transição é curta: os próximos cinco anos devem trazer a necessidade de proteger bilhões de dispositivos já em operação.

Além da ameaça quântica, o professor destaca que a inteligência artificial já está sendo usada de forma prática para descobrir vulnerabilidades em sistemas reais. Modelos de linguagem de grande porte, conhecidos como LLMs, conseguem analisar grandes volumes de código e identificar falhas que antes exigiam semanas de trabalho manual, como demonstrado no exemplo do Claude Mythos. Essa capacidade acelera o trabalho tanto de defensores quanto de atacantes, mas Kano ressalta que a IA não modifica diretamente os fundamentos matemáticos da criptografia em si.

Blockchain, cultura organizacional e o papel da educação

Outra ferramenta mencionada no episódio é o blockchain, que oferece imutabilidade e integridade de dados sem depender exclusivamente de algoritmos criptográficos tradicionais. Kano observa que a tecnologia complementa a criptografia clássica ao registrar eventos de forma que qualquer alteração seja detectável, algo especialmente útil em ambientes onde a confiança entre partes é limitada. No entanto, ele frisa que nenhuma ferramenta técnica substitui a necessidade de uma cultura de segurança organizacional sólida, que envolve treinamentos constantes, políticas claras e conscientização de todos os níveis hierárquicos.

O Inteli já incorpora essa visão multidisciplinar em sua grade curricular. Os alunos estudam criptografia desde os algoritmos clássicos até os resistentes a computadores quânticos, passam por disciplinas de computação quântica e encontram elementos de cibersegurança em todos os cursos. Duas ligas estudantis ilustram o aprendizado prático: a EchoSec, especializada em cibersegurança e vencedora de competições de captura de bandeiras (CTFs), e a Quantum, voltada para iniciantes que desejam compreender os fundamentos da computação quântica. Essas iniciativas transformam teoria em experiência real e preparam os futuros profissionais para o cenário que se desenha.

O que muda na prática para empresas e profissionais

Para quem gerencia sistemas críticos, a mensagem do professor é clara: é hora de iniciar o inventário de algoritmos criptográficos em uso e planejar a migração gradual para padrões pós-quânticos. A transição não ocorre da noite para o dia e envolve atualização de hardware, software e processos de gerenciamento de chaves. Organizações que ignorarem o tema correm o risco de ver suas comunicações e dados expostos quando a capacidade quântica se tornar acessível a mais atores, inclusive mal-intencionados.

O episódio também serve como convite para que profissionais e estudantes acompanhem o debate de forma contínua. Acesse o vídeo completo no canal do Inteli para ouvir as explicações na voz do professor Bryan Kano e conhecer os exemplos práticos que ele apresenta. Além disso, para aprofundar o tema da ameaça quântica e das iniciativas já em andamento no setor privado, vale conferir o artigo que publicamos sobre os esforços da IBM em proteger infraestruturas governamentais.