A mais recente publicação da Reuters Practical Law The Journal, de julho de 2026, revela como a IA generativa e a IA agentic estão criando brechas reais para o vazamento de segredos industriais em empresas de todos os portes. Baldassare Vinti, que preside o grupo de litígios de propriedade intelectual da Proskauer, e Wai L. Choy, sócio nas áreas corporativa, TMT e blockchain da mesma firma, analisam riscos concretos que surgem quando funcionários inserem prompts ou fazem upload de documentos em ferramentas como ChatGPT ou plataformas similares hospedadas por terceiros. O texto promete exatamente o que todo profissional de tecnologia precisa agora: um framework prático de mitigação sob as leis americanas DTSA e UTSA para manter informações confidenciais realmente seguras.

Os novos vetores de vazamento que a IA trouxe para dentro das empresas

Quando um colaborador digita uma fórmula química proprietária em um prompt ou conecta um documento de engenharia a um modelo via conectores, ele pode estar entregando dados sensíveis que serão retidos pelo fornecedor para treinamento futuro. O artigo destaca que ferramentas hospedadas em nuvem frequentemente mantêm logs e podem usar esses inputs em treinamentos posteriores, expondo algoritmos, processos e datasets que antes ficavam protegidos atrás de firewalls corporativos. Diferente de softwares on-premise, as soluções em nuvem ampliam o espectro de autonomia dos agentes de IA, que podem agir de forma independente e acessar informações além do controle humano imediato.

Como o framework da Proskauer traduz a lei em ações diárias

Baseado na Defend Trade Secrets Act (18 U.S.C. §§ 1836-1839) e na Uniform Trade Secrets Act, o framework exige que as empresas demonstrem medidas razoáveis de proteção. Isso inclui auditorias regulares de políticas de uso de IA, migração de usuários para versões enterprise com cláusulas contratuais explícitas de confidencialidade e treinamento contínuo de equipes sobre o que pode ou não ser inserido em prompts. O texto cita o caso Propel Fuels, Inc. v. Phillips 66 Co., onde danos compensatórios de US$ 604,9 milhões mais US$ 195 milhões em danos exemplares foram concedidos em 2025, mostrando que tribunais já estão aplicando punições pesadas quando medidas de proteção falham.

Agentes autônomos e o espectro de risco que se aproxima

Com o lançamento em 2025 da Agentic AI Foundation por OpenAI, Anthropic e Block sob a Linux Foundation, incluindo o Model Context Protocol e o AGENTS.md, a autonomia dos agentes de IA cresce rapidamente. Esses sistemas podem conectar-se a múltiplas fontes internas da empresa, tomar decisões e registrar outputs que, sem controles adequados, acabam expostos. O framework recomenda avaliar o nível de autonomia de cada ferramenta antes de liberá-la para equipes, comparando o cenário a um assistente virtual que, como em séries futuristas, começa a antecipar ações e acaba revelando mais do que deveria.

Passos práticos que empresas podem adotar já

Comece auditando todas as ferramentas de IA em uso e identifique quais mantêm dados para treinamento. Mova equipes para versões enterprise com proteções contratuais claras e crie políticas internas que proíbam uploads de documentos confidenciais em plataformas públicas. Realize treinamentos periódicos e documente todas as medidas adotadas, pois a lei exige prova de razoabilidade. Ao conectar esses passos à realidade de 2026, a proteção deixa de ser teoria e vira rotina que preserva vantagem competitiva.