O Goldman Sachs projeta que o lucro por ação agregado do S&P 500 cresça 22% no segundo trimestre de 2026, marcando o maior avanço em cinco anos, com a infraestrutura de inteligência artificial respondendo por quase 60% dessa expansão. Essa estimativa coloca em evidência como o hardware especializado em IA, especialmente chips e memória de alta largura de banda, concentra os resultados positivos em um índice que reúne as maiores empresas americanas. Nvidia e Micron Technology, apesar de representarem respectivamente 8% e 1% do índice, devem contribuir com cerca de 40% do crescimento projetado, o que revela uma concentração de valor em poucas companhias que fornecem a base física para treinar e rodar modelos de IA em escala. Para o investidor ou profissional que acompanha o mercado, compreender esses números significa identificar onde o capital está fluindo de forma mais acelerada e como isso pode influenciar decisões de alocação nos próximos trimestres.
Como a projeção do Goldman Sachs se traduz em números concretos
Os analistas do banco elevaram a estimativa de crescimento dos lucros do S&P 500 para 24% no ano completo de 2026 e ajustaram o alvo do índice para 8.000 pontos até o fim do ano, partindo de uma base anterior de 7.600 pontos. Esse ajuste reflete a expectativa de que os gastos com infraestrutura de IA, incluindo data centers e equipamentos, continuem acelerados, com o capex das big techs estimado em US$ 754 bilhões em 2026 e US$ 905 bilhões em 2027. Na prática, isso significa que empresas que constroem a espinha dorsal da IA — desde a fabricação de semicondutores até o armazenamento de dados — capturam uma parcela desproporcional dos ganhos, enquanto outros setores do índice crescem em ritmo mais moderado. A contribuição adicional de ganhos de produtividade com IA é calculada em 0,4 ponto percentual no crescimento do EPS em 2026 e 1,5 ponto percentual em 2027, mostrando que o impacto não se limita apenas aos lucros imediatos das fornecedoras de hardware, mas se espalha para a eficiência operacional de toda a economia.
O papel central da Nvidia e da Micron no avanço dos resultados
A Nvidia registrou receita recorde de US$ 81,6 bilhões no último trimestre, representando uma alta de 85% em relação ao mesmo período de 2025, o que confirma sua posição como principal fornecedora de GPUs para treinamento de modelos de inteligência artificial em larga escala. Já a Micron Technology triplicou sua receita anual, alcançando US$ 23,86 bilhões, com recordes em todas as métricas financeiras, impulsionada pela demanda por memória de alta performance necessária para processar os volumes massivos de dados usados em IA. Juntas, essas duas empresas ilustram como o gargalo atual da revolução da IA não está apenas nos algoritmos, mas na capacidade física de produzir e fornecer componentes que suportem o treinamento e a inferência em tempo real. Para quem investe ou trabalha no setor, acompanhar os pedidos e a capacidade de produção dessas companhias oferece um termômetro mais preciso do ritmo da adoção de IA do que apenas os anúncios de novos modelos de linguagem.
O que isso sinaliza para investidores e profissionais do setor
Os dados do Goldman Sachs indicam que os maiores vencedores diretos continuam sendo os fabricantes de chips e memória, pois a construção de infraestrutura de IA deve impulsionar cerca de 50% do crescimento do EPS do S&P 500 em 2026 e 2027. Isso sugere que profissionais que buscam oportunidades de carreira ou de investimento devem olhar com atenção para cadeias de suprimento de semicondutores, empresas de embalagem avançada de chips e fornecedores de equipamentos para data centers, em vez de se concentrar exclusivamente em aplicações finais de IA. Ao mesmo tempo, o crescimento projetado reforça a importância de monitorar os balanços trimestrais dessas empresas específicas, pois seus resultados não apenas movem o índice como um todo, mas também antecipam tendências de demanda que afetam todo o ecossistema tecnológico. Para o leitor que deseja aplicar esse conhecimento, o próximo passo prático é revisar as datas de divulgação de resultados da Nvidia e da Micron nos próximos meses e cruzar esses dados com as projeções de capex das grandes nuvens de computação.
Caixa de Ferramentas: próximos passos para acompanhar o tema
Para transformar essa análise em ação, comece monitorando os relatórios trimestrais da Nvidia e da Micron, comparando as variações de receita com as projeções do Goldman Sachs. Em seguida, avalie a diversificação de sua carteira ou plano de carreira considerando exposição a empresas de infraestrutura de IA, sem concentrar mais de 10% em um único ativo. Por fim, acompanhe os anúncios de capex das big techs ao longo de 2026 e 2027 para antecipar possíveis ajustes nas projeções de lucros do S&P 500. Esses passos permitem que você mantenha o controle sobre como a IA está remodelando o mercado, usando dados concretos em vez de especulações gerais.