A pesquisa Datafolha realizada nos dias 17 e 18 de junho de 2026 trouxe números que ajudam a entender como a inteligência artificial — sistemas capazes de aprender padrões e executar tarefas que antes exigiam intervenção humana — está se inserindo no dia a dia profissional dos brasileiros. Entre quem já ouviu falar na tecnologia, o uso no trabalho subiu de 17% para 24%, enquanto o medo de substituição caiu de 56% para 48%. Esses percentuais mostram que, apesar da transformação em curso, as pessoas estão encontrando formas de conviver com a ferramenta em vez de vê-la apenas como ameaça.

O que os números da Datafolha revelam sobre o uso prático

Quando se olha para as aplicações relatadas, fica claro que a IA está atuando como uma ponte entre o conhecimento acumulado e a execução de tarefas cotidianas. Pesquisas na internet lideram com 25% das menções, seguidas por estudos com 17% e criação de imagens ou vídeos com apenas 4%. Essa distribuição sugere que a tecnologia funciona menos como substituta total e mais como extensão das capacidades humanas, permitindo que profissionais conectem dados de diferentes fontes para tomar decisões mais rápidas e fundamentadas.

Além disso, a rejeição ao uso de IA em contratações e demissões atinge 79% dos entrevistados, enquanto 68% consideram inadequado seu emprego em tratamentos médicos e 67% em concessão de crédito. Esses percentuais indicam que, embora a adoção cresça, existe um consenso claro sobre os limites éticos: decisões que envolvem julgamento humano e responsabilidade direta ainda devem permanecer sob controle de pessoas, preservando o diálogo entre diferentes atores do ecossistema de trabalho.

Como o medo de substituição está mudando de patamar

O recuo no medo — de 56% para 48% entre quem conhece IA — reflete uma adaptação gradual. Em vez de imaginar um cenário de substituição completa, muitos profissionais começam a enxergar a tecnologia como parte de uma rede maior, onde sistemas automatizados dialogam com habilidades humanas. A parcela sem medo subiu de 41% para 49%, sinalizando que a experiência prática está ajudando a construir pontes de confiança entre trabalhadores e ferramentas digitais.

Essa mudança de percepção não acontece no vazio. Ela se conecta ao aumento real do uso no ambiente laboral, que passou de 17% para 24% em apenas um ano. Quando as pessoas testam a IA em tarefas específicas, percebem que ela complementa em vez de anular suas competências, criando um ecossistema onde diferentes plataformas trocam informações para gerar valor maior do que cada uma entregaria isoladamente.

Por que esses dados importam para quem trabalha com tecnologia

Para o profissional que busca usar a tecnologia a seu favor, os números da Datafolha funcionam como um termômetro. Eles mostram que a integração entre humanos e IA já está em andamento e que resistir completamente pode significar perder oportunidades de colaboração. Ao mesmo tempo, a forte rejeição ao uso em decisões de vida e carreira reforça a importância de manter o controle humano em pontos críticos, preservando o equilíbrio entre eficiência e dignidade.

Quando se pensa em interoperabilidade, fica evidente que a IA funciona melhor quando conectada a sistemas já existentes no dia a dia, como ferramentas de pesquisa, plataformas de estudo ou editores de conteúdo. Essa conexão transforma serviços isolados em experiências mais fluidas, onde o profissional atua como mediador entre o que a máquina processa e o que o cliente ou colega precisa entender.

Caixa de ferramentas: próximos passos práticos

Comece identificando uma única tarefa repetitiva no seu fluxo de trabalho — como pesquisa de informações ou organização de dados — e teste uma ferramenta de IA acessível para automatizar parte dela. Observe os resultados após uma semana e ajuste o uso, mantendo sempre o julgamento final em suas mãos. Compartilhe aprendizados com colegas para construir, coletivamente, pontes de conhecimento que beneficiem todo o time. Por fim, acompanhe novas pesquisas como a Datafolha para ajustar expectativas e estratégias conforme o ecossistema evolui.