O Itaú Unibanco anunciou no dia 23 de junho de 2026 uma atualização importante no seu modelo de trabalho híbrido que afeta diretamente milhares de colaboradores em regime semi-presencial. A partir do primeiro trimestre de 2028, esses funcionários precisarão comparecer ao escritório três dias por semana, em vez dos atuais oito dias mensais. Superintendentes terão que ir quatro dias semanais já a partir de janeiro de 2027, regra que já vale para diretores. Essa alteração representa um recuo em relação à flexibilidade conquistada nos últimos anos e levanta dúvidas sobre como as equipes vão se adaptar às novas rotinas, custos extras de deslocamento e impactos na vida pessoal.

A história por trás da decisão do Itaú

O modelo híbrido atual do Itaú foi implementado de forma mais ampla em fevereiro de 2024 em algumas áreas, permitindo oito dias presenciais por mês como forma de equilibrar produtividade e bem-estar após o período intenso de trabalho remoto durante a pandemia. A empresa agora argumenta que é preciso ajustar o modelo ao contexto atual e às necessidades operacionais, investindo simultaneamente em modernização dos escritórios e expansão de polos de trabalho para facilitar o deslocamento. Essa evolução reflete uma tendência observada em outras grandes instituições financeiras que também estão revisando políticas após experiências com modelos mais flexíveis.

Além disso, o banco menciona que a transição será gradual, com um período de adaptação planejado para que colaboradores possam reorganizar rotinas pessoais e familiares sem sobressaltos. No entanto, a comunicação unilateral surpreendeu o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que não foi consultado previamente e já solicitou uma reunião para discutir o tema. O sindicato planeja entregar uma lista de demandas no dia 1º de julho de 2026 e pretende acompanhar de perto a adequação dos espaços físicos para garantir que a volta ao presencial não gere novos problemas de infraestrutura.

Impactos práticos para os trabalhadores

Muitos colaboradores relatam que o aumento dos dias presenciais eleva significativamente os custos com transporte, alimentação e tempo de deslocamento, reduzindo a flexibilidade que permitia conciliar melhor trabalho com vida familiar. Uma pesquisa da Mercer Brasil indica que 76% dos gestores ainda se sentem inseguros quanto à produtividade em modelos totalmente remotos, o que pode explicar parte da motivação por trás dessas mudanças em várias empresas. No caso do Itaú, a decisão também se soma a demissões de cerca de mil trabalhadores híbridos ou remotos realizadas em 2025 após revisões internas de produtividade.

Outras instituições já adotaram rumos parecidos: o Nubank planeja exigir dois dias presenciais em 2026 e três em 2027, enquanto o Bradesco encerrou o trabalho remoto para aproximadamente 900 funcionários em 2026. Essas movimentações reforçam um movimento mais amplo no setor financeiro de reavaliar o equilíbrio entre presença física e desempenho, especialmente quando investimentos em escritórios modernos entram na equação. O desafio agora é entender como cada profissional pode se preparar para essa nova realidade sem perder qualidade de vida.

O que muda na prática a partir de 2028

Com a nova regra, o regime semi-presencial passará a exigir presença física três dias semanais regulares, o que representa quase o dobro da frequência atual para muitos times. O Itaú planeja expandir a capacidade dos escritórios e modernizar instalações para tornar o ambiente mais atrativo e produtivo durante esses dias. A transição gradual busca minimizar choques, mas sindicatos alertam para a necessidade de garantir que os espaços suportem o aumento de ocupação sem comprometer o conforto ou a saúde dos funcionários.

Para quem trabalha em áreas operacionais ou de atendimento, a mudança pode significar ajustes em horários de pico de transporte público e necessidade de reorganizar cuidados com filhos ou dependentes. Já para funções mais estratégicas, o impacto pode aparecer na dinâmica de reuniões e colaboração que, segundo a empresa, se beneficiam da interação presencial. O importante é acompanhar de perto as comunicações internas do banco nos próximos meses para entender detalhes específicos por área e cargo.

Caixa de ferramentas: como se preparar para as mudanças

Primeiro passo é mapear sua rotina atual e identificar os principais pontos de impacto com o aumento de dias presenciais, como custos de transporte e tempo de deslocamento. Em segundo lugar, aproveite o período de transição para conversar com gestores sobre possíveis adaptações ou políticas de apoio oferecidas pelo Itaú. Terceiro, fique atento às negociações do sindicato, que prometem defender benefícios do modelo híbrido como melhoria na qualidade de vida e produtividade comprovada. Por fim, considere revisar seu planejamento financeiro e familiar agora para evitar surpresas em 2027 e 2028, mantendo o controle sobre sua carreira em um cenário de ajustes corporativos.