A Vision Cybersecurity identificou uma expansão acelerada de infostealers na América Latina que já comprometeu mais de 5 milhões de credenciais domésticas e quase 100 mil credenciais corporativas. Se esse ritmo continuar sem freio, a pergunta que surge é inevitável: como transformar esse alerta em ações concretas antes que o próximo vazamento atinja sua empresa ou conta pessoal? O relatório compara o período de janeiro a junho de 2025 com janeiro a maio de 2026 e revela aumentos de 54% nas detecções e 56% no volume de credenciais expostas, números que não deixam margem para dúvida sobre a gravidade do problema.

O que são infostealers e como funciona sua cadeia operacional

Um infostealer é um tipo de malware projetado especificamente para roubar credenciais, cookies de sessão, carteiras de criptomoedas e outros dados sensíveis diretamente do dispositivo infectado. Se o malware consegue se instalar, então ele coleta as informações; se essas informações chegam à dark web, então criminosos as compram e, senão forem bloqueadas, o resultado é acesso inicial a redes corporativas que termina em fraude, ransomware ou extorsão. A Vision Cybersecurity descreve exatamente essa sequência: infecção via phishing ou downloads maliciosos, roubo local, exfiltração para servidores controlados pelos atacantes, venda em fóruns clandestinos, compra por outros grupos e, por fim, o uso para ataques maiores.

Números que confirmam o crescimento regional

Além dos dados da Vision, o relatório do Insikt Group da Recorded Future mostra que o LummaC2 foi o infostealer mais prolífico na América Latina e Caribe no primeiro semestre de 2025, enquanto o Vidar assumiu a liderança no segundo semestre após uma operação policial que interrompeu parte da infraestrutura do LummaC2. A lista dos principais inclui ainda Rhadamanthys, RedLine e Nexus, todos atuando como facilitadores de acesso inicial. O Industrial Cyber registrou mais de 450 eventos de ransomware na região em 2025, um salto de 78% em relação a 2024, e mais de 200 corretores de acesso inicial mirando entidades em 17 países, com credenciais comprometidas como método de entrada mais comum.

Por que a América Latina enfrenta proporções maiores que os EUA

Comparando com os Estados Unidos, a América Latina registra proporções significativamente maiores de ataques com infostealers: 5,3% dos ataques contra apenas 2,1% nos EUA, segundo análise da Dark Reading. O ransomware representa 5,4% versus 3,1%, malware bancário 2,8% versus 0,8% e botnets 13,1% versus 7,2%. Esses percentuais indicam que a região oferece um ambiente mais favorável para esse tipo de ameaça, seja por menor adoção de controles avançados ou por maior volume de usuários sem proteção adequada.

Medidas práticas que reduzem o risco de forma comprovada

A boa notícia é que as recomendações da Vision Cybersecurity são diretas e aplicáveis imediatamente. Ativar MFA em todas as contas impede que credenciais roubadas sejam suficientes para login; monitorar a dark web permite identificar vazamentos antes que sejam explorados; soluções EDR ou XDR detectam comportamentos anormais de malware; treinamentos contra phishing reduzem a taxa de cliques em links maliciosos; e o uso de gerenciadores de senhas elimina a prática de reutilizar credenciais. Se uma organização implementa pelo menos três dessas camadas, então a probabilidade de sucesso de um ataque baseado em infostealer cai drasticamente.