A Meta iniciou o desmonte de sua aquisição de mais de US$ 2 bilhões da startup de IA Manus, completando a separação operacional e interrompendo o compartilhamento de dados para atender a uma ordem de desinvestimento emitida por Pequim em abril de 2026. Se o governo chinês determinou a proibição de investimento estrangeiro na Manus por razões de segurança nacional, então a Meta precisa retirar-se completamente da operação, caso contrário a transação permanece irregular perante as autoridades de Pequim. Essa decisão representa o passo mais concreto até o momento para cumprir a exigência feita pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) em 27 de abril de 2026.
Por que a separação já está em curso
A Meta cortou o acesso da Manus aos seus sistemas internos, impedindo que funcionários usem ferramentas da startup em projetos da própria Meta. Se a ordem de Pequim chegou em abril e a separação operacional já foi concluída em junho, então o processo avançou mais rápido do que o esperado, senão a Meta correria risco de sanções adicionais. A Manus, originalmente fundada na China com a empresa-mãe Butterfly Effect, transferiu sua equipe para Cingapura em meados de 2025, antes do anúncio da aquisição em dezembro daquele ano.
O que os investidores e fundadores estão fazendo agora
Fundadores da Manus mantiveram discussões preliminares para captar cerca de US$ 1 bilhão de investidores externos e recomprar a startup. Se os investidores asiáticos como Tencent, HSG e ZhenFund cooperam com o desmonte, então os fundos americanos como Benchmark já receberam os valores devidos, senão o processo de saída ficaria ainda mais complicado. A Manus não parou de lançar funcionalidades e anunciou integrações com Similarweb e Shopify, mantendo o desenvolvimento de produto apesar da turbulência.
Contexto anterior da transação e da exigência chinesa
Em dezembro de 2025 a Meta anunciou a compra da Manus, startup que desenvolve agentes de IA capazes de executar tarefas em vez de apenas gerar texto. A transação já previa a necessidade de cortar laços com a China. Em março de 2026 o governo chinês impediu a saída dos fundadores do país para bloquear a venda, conforme reportado em nossa cobertura anterior. Se a NDRC proibiu investimento estrangeiro na Manus em 27 de abril de 2026, então qualquer permanência da Meta na empresa viola diretamente a determinação de segurança nacional.
O que muda para a Manus e para o mercado de IA
A Manus continua a operar de forma independente, com equipe baseada em Cingapura e novos recursos sendo lançados. Se a separação for concluída sem maiores atrasos, então a startup poderá buscar novos investidores ou até mesmo uma nova aquisição por outra empresa não americana. Caso contrário, o impasse pode limitar o acesso a mercados globais e a talentos internacionais.