O Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulgou em 31 de maio de 2026 uma orientação que fecha uma brecha aberta há um ano e que permitia o envio de chips de inteligência artificial mais avançados, como os processadores Blackwell e Rubin da Nvidia, para subsidiárias de empresas chinesas localizadas fora da China. Se a empresa matriz estiver sediada na China, então a exigência de licença de exportação passa a valer independentemente do país onde a subsidiária opera; senão, a orientação anterior deixava a porta entreaberta para envios diretos a esses endereços estrangeiros. A medida foi publicada no site do Bureau of Industry and Security após circular um relatório em Washington sobre o problema.
Como a brecha foi criada e por que agora é fechada
Em maio de 2025 o governo anunciou que não aplicaria a regra de Difusão de IA do final da administração Biden, criando espaço para que chips pudessem chegar a entidades chinesas fora do território continental. Se as empresas aproveitassem essa janela, então centenas de milhares de unidades — segundo estimativa de uma fonte da indústria com conhecimento profundo da cadeia de suprimentos — já teriam sido exportadas para lugares como a Malásia. A nova orientação esclarece que as regras de licença em vigor desde 2023 se aplicam a qualquer entidade cuja sede esteja na China, independentemente da localização física.
O que muda na prática para exportadores e data centers
A orientação não altera as operações da Nvidia, conforme declaração de um executivo da empresa, e também não obriga data centers a interromperem o uso ou o serviço dos itens de computação avançada já instalados. Se um chip já estiver em operação em uma subsidiária chinesa no exterior, então ele pode continuar funcionando; senão, novos envios exigirão licença específica. O foco está em impedir que novos processadores de ponta, incluindo os MI350x da AMD, cheguem a firmas chinesas por rotas indiretas.
Contexto histórico e o que vem a seguir
Essa clarificação chega depois de uma série de restrições que os Estados Unidos vêm aplicando desde 2023 para limitar o acesso chinês a semicondutores essenciais para o desenvolvimento de capacidades avançadas de IA. Se o objetivo anterior era fechar canais diretos, então a orientação de domingo tapa o caminho por meio de subsidiárias estrangeiras. O Departamento de Comércio afirmou que se trata apenas de reforçar regras já existentes, sem introduzir novas exigências.