A Meta anunciou internamente o desenvolvimento de um pingente com IA que deve iniciar testes já no próximo ano, conforme memorando visto pela The Information. O dispositivo representa o próximo passo na estratégia de wearables da empresa, que busca registrar, transcrever e resumir conversas do mundo real de forma discreta, respeitando as rígidas regras de privacidade e consentimento locais, visto que a gravação passiva de áudio sem sinalização é altamente restrita por leis de proteção de dados e escuta em mercados como o Reino Unido, a União Europeia e o Brasil. Essa iniciativa surge pouco depois da aquisição da startup Limitless em 2025, cujo produto original era exatamente um pingente que capturava áudio e gerava banco de dados pesquisável.
Da aquisição à expansão: a história por trás do pingente
Em 5 de dezembro de 2025, a Meta comprou a Limitless e integrou sua equipe ao Reality Labs, o que agora permite acelerar o desenvolvimento de hardware próprio. O memorando assinado por Alex Himel, vice-presidente de wearables da Meta, detalha planos para iniciar os testes do novo pingente em 2027, expandir a linha de óculos inteligentes com até quatro novos modelos ainda este ano e lançar o serviço Wearables for Work para uso corporativo. Enquanto isso, a Reality Labs registrou prejuízo de US$ 4,03 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, mostrando que a aposta em IA vestível ainda é cara, mas estratégica.
O que o pingente realmente faz e por que importa
Diferente dos óculos Ray-Ban Meta, que focam em câmera e áudio para chamadas, o pingente da Limitless era projetado para gravar conversas em reuniões, gerar transcrições automáticas e permitir buscas posteriores — uma espécie de “memória externa” para o dia a dia. Agora a Meta quer levar essa funcionalidade adiante, combinando o hardware discreto com o seu modelo avançado de IA Muse Spark e o assistente virtual de consumo Hatch. O resultado esperado é um dispositivo que não só grava, mas resume reuniões, identifica tarefas e integra com outras ferramentas de produtividade.
Além do pingente: óculos e assinaturas corporativas
Paralelamente ao pingente, a Meta pretende aumentar significativamente a oferta de óculos inteligentes até o fim de 2026. O objetivo é diversificar o portfólio de wearables e atender tanto consumidores quanto empresas. O novo serviço Wearables for Work surge como assinatura corporativa, sugerindo que a empresa vê potencial em vender hardware e IA como solução completa para escritórios e equipes.
Para entender melhor o caminho percorrido pela Meta nesse campo, vale revisar a cobertura que fizemos sobre a compra da Limitless aqui.