Sete companhias de tecnologia que marcaram os anos 90 — Dell, Nokia, Lenovo, Micron, Intel, Texas Instruments e Cisco — registraram valorização média de 158% em 2026 e somaram US$ 1,7 trilhão em valor de mercado combinado. Se a demanda por infraestrutura de inteligência artificial realmente disparou, então empresas que fornecem servidores, chips, redes e armazenamento deveriam lucrar; os dados mostram exatamente isso. A pergunta que surge é: por que essas veteranas, muitas vezes vistas como dinossauros, voltaram a crescer em ritmo acelerado agora?

Os números por trás do rali

A Dell viu suas ações subirem 33% em uma única sexta-feira após divulgar resultados que destacaram a demanda por servidores de IA. A Lenovo registrou alta de 105% só em maio e 159% no ano. A Nokia avançou mais de 124% no ano, enquanto a Cisco subiu 56% em 2026. A Intel registrou 211% de valorização no ano e a Texas Instruments, 76%. A Micron, por sua vez, subiu mais de 903% em 12 meses e alcançou US$ 1 trilhão em valor de mercado em apenas 48 dias. Esses percentuais não são estimativas; eles vêm dos fechamentos de mercado reportados em maio de 2026.

Por que o hardware voltou a valer ouro

Yan Taw Boon, gestor da Neuberger Berman, explicou que existe suboferta de hardware e que a demanda por CPUs, redes, armazenamento e memória está explodindo. Se as grandes provedoras de nuvem e empresas estão construindo “fábricas de IA”, então precisam de equipamentos físicos em escala — e as companhias que os fabricam ou fornecem componentes se beneficiam diretamente. A lógica é simples: sem chips e servidores suficientes, os modelos de IA não rodam; com escassez, os preços e as margens sobem.

Contexto histórico e o que muda agora

Essas empresas já dominaram o mercado nos anos 90 com PCs, roteadores e chips de memória. Depois vieram a bolha pontocom, a ascensão dos smartphones e a competição de startups mais ágeis. O que mudou em 2026 foi a escala dos investimentos em IA: a necessidade de data centers especializados criou uma nova onda de demanda por hardware tradicional. Os resultados mostram que quem já tinha linhas de produção prontas para servidores e componentes de rede conseguiu capturar parte desse crescimento sem precisar reinventar o negócio do zero.

Próximos passos para quem acompanha o setor

Se você investe ou trabalha com tecnologia, acompanhe os próximos balanços dessas sete empresas para verificar se a demanda por servidores de IA se mantém. Os dados de maio de 2026 já mostram que o hardware físico continua sendo o gargalo — e não apenas os modelos de software. Acompanhe também os relatórios de gastos globais em IA para entender até onde essa valorização pode ir.