Imagine uma ponte digital que conecta o poder computacional de uma gigante global de tecnologia diretamente ao interior de São Paulo: é exatamente isso que o novo data center Sumaré 3 representa. A cidade de Sumaré receberá um investimento de US$ 1,2 bilhão em uma estrutura projetada desde o início para inteligência artificial, reservada por uma empresa de tecnologia global cujo nome ainda não foi divulgado. O anúncio aconteceu em 27 de maio de 2026 e a entrega está prevista para 18 meses depois, trazendo capacidade inicial de 90 megawatts, com possibilidade de dobrar no futuro.

Por que um data center feito sob medida para IA muda o jogo

Em data centers convencionais, cada rack opera tipicamente com cerca de 8 quilowatts. No Sumaré 3, os racks serão dimensionados entre 60 kW e 1 megawatt, o que permite treinar e rodar modelos de IA muito mais densos e exigentes. Essa diferença não é apenas numérica: ela significa que o centro foi concebido como um hub de interoperabilidade, onde diferentes serviços de IA podem trocar dados e processar tarefas em escala sem gargalos energéticos ou térmicos.

Para lidar com o calor gerado por esses racks superdimensionados, o projeto abandona o resfriamento tradicional por ar e adota resfriamento líquido. O sistema circula água em circuito fechado, reaproveitando o recurso e reduzindo drasticamente o consumo — em 2025, a operação da Ascenty em seu campus de Vinhedo consumiu o equivalente ao de apenas nove casas com quatro moradores ao longo de um ano inteiro. Além disso, 100% da energia vem de fontes renováveis por autoprodução, mantendo o data center neutro em termos ambientais e pronto para integrar-se a outros elos da cadeia de IA.

Expansão regional e o papel da Ascenty no ecossistema brasileiro

O Sumaré 3 não é um projeto isolado. Ele faz parte de um plano maior da Ascenty que inclui mais três data centers na região de Campinas, totalizando 150 megawatts de capacidade adicional em apenas três meses — um aumento de cerca de 40% em relação a tudo que a empresa construiu nos últimos 15 anos. A escolha da região não é aleatória: a infraestrutura energética existente e a proximidade com universidades e empresas criam um verdadeiro ecossistema onde dados fluem entre plataformas, serviços e usuários finais de forma mais fluida.

A empresa que ocupará o espaço deve investir outros US$ 5 bilhões em equipamentos e tecnologia, segundo estimativas da Ascenty. Christopher Torto, CEO da Ascenty, resumiu o diferencial: “Vai ser o primeiro grande data center só para IA. Tem racks de IA já operando no Brasil, mas não tem um data center que foi concebido diretamente com IA”. Marcos Siqueira, CRO e chefe de estratégia, complementou sobre a sustentabilidade: “A mesma água que eu coloco no momento que eu estou iniciando a operação do data center, eu vou operar a vida toda com aquilo”.

Caixa de Ferramentas: o que você pode fazer agora

Entenda que data centers como o Sumaré 3 funcionam como pontes diplomáticas no universo digital: eles permitem que modelos de IA treinados em um canto do mundo rodem de forma eficiente em outro, trocando dados com serviços locais sem perder performance. Acompanhe os próximos anúncios da Ascenty sobre os demais projetos de 150 MW. Se você trabalha com IA, avalie como a proximidade de infraestrutura de alta densidade no Brasil pode reduzir latência e custos de inferência nos próximos 18 meses. Comece hoje mapeando quais aplicações da sua empresa ou estudos dependem de poder computacional escalável — essa é a primeira etapa para se conectar a esse novo elo do ecossistema.