Em Contagem, entre os dias 25 e 29 de maio de 2026, a Semana de Inovação e Tecnologia propõe um encontro raro: usar a inteligência artificial não como atalho burocrático, mas como ferramenta para serviços públicos mais humanos e eficientes, reunindo servidores, especialistas e a comunidade na Tenda do Encontro.
O que significa inovar o poder público?
A abertura oficial, no dia 25, contou com a presença do prefeito Ricardo Faria, do secretário-geral Pedro Amaral e do secretário de TI Daniel Lisbeni, além de representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Prefeitura do Recife. Palestras como “Transformação Digital no Serviço Público”, por Rafael Toscano, e “Inteligência Artificial no Serviço Público”, por Hugo Valadares, do MCTI, não se limitaram a apresentar ferramentas: questionaram como algoritmos podem reduzir filas sem apagar o rosto de quem espera atendimento. Alunos da Funec apresentaram projetos como um drone ambiental e um robô de IA para idosos, lembrando que a tecnologia só faz sentido quando devolve tempo e cuidado às pessoas.
Da eficiência à reflexão ética
Nos dias seguintes, workshops sobre Power BI, digitalização da saúde, governança ágil e engenharia de prompt convidam participantes a experimentar na prática o que significa “cidadãocentrismo”. A pergunta que paira é sutil, porém inescapável: quando o Estado adota IA para decidir benefícios ou agilizar processos, quem garante que a máquina não reproduza vieses já presentes na sociedade? A programação, instituída por lei desde 2021 e sempre gratuita, oferece certificação e vagas limitadas, mas seu maior convite é filosófico — refletir sobre os limites da autonomia humana diante de sistemas que prometem otimizar o cotidiano.
Um convite para imaginar o futuro
Enquanto o evento avança com trilhas presenciais e virtuais, ele ecoa iniciativas semelhantes em outros estados, como a política de IA do Ceará para modernizar atendimentos. Inscreva-se aqui e participe dos debates que podem redefinir não apenas a máquina pública, mas a relação entre cidadão e Estado. O que estamos dispostos a automatizar e o que, essencialmente humano, merece permanecer intocável?