Imagine um sistema que prevê o resultado de uma ação judicial antes mesmo de ela chegar ao juiz, cruzando milhões de processos em segundos. A startup Enter, fundada em 2023, acaba de se tornar o primeiro unicórnio de IA jurídica da América Latina ao captar US$ 100 milhões e atingir valuation de US$ 1,2 bilhão, mirando colocar o Brasil entre os cinco países que lideram IA globalmente.

O bug que a Enter resolveu

O Brasil concentra mais de 90% dos processos trabalhistas do mundo. Até pouco tempo, advogados e empresas gastavam dias analisando documentos repetitivos. A plataforma EnterOS usa modelos de IA em parceria com OpenAI e Anthropic para automatizar 300 mil casos por ano, aumentando em 30% a taxa de improcedência para clientes como Bradesco, Nubank, Mercado Livre e Latam Airlines.

Fundadores Mateus Costa-Ribeiro (ex-advogado em Harvard), Michael Mac-Vicar (ex-CTO da Wildlife Studios) e Henrique Vaz transformaram o setor em algo que lembra as pre-cogs de Minority Report: decisões baseadas em padrões de dados em vez de intuição humana.

Birdie: o contexto que faltava aos chatbots

Enquanto isso, a Birdie cresceu 700% em 2025 ao resolver o maior problema dos chatbots atuais. Fundada por Ale Hadade em 2019, a startup organiza dados não estruturados — ligações, chats antigos e avaliações — para dar contexto real a modelos como Claude e ChatGPT. Clientes como Nubank, iFood e Stone já usam a solução, que agora chega a Microsoft, HP e Samsung nos Estados Unidos.

Ronaldo Amá, novo CPTO ex-Google Cloud, resume: transformar sinais fragmentados em decisões confiáveis continua sendo o problema mais difícil da IA.

Projeção para 2030: Brasil como protagonista

Com a USP ligando o Jairu, o supercomputador de IA mais potente da América Latina, o país ganha infraestrutura para competir. A meta de Mateus Costa-Ribeiro é clara: Brasil no G5 de IA ao lado de Estados Unidos e China. Até 2030, especialistas projetam que ferramentas como EnterOS possam analisar 80% dos processos trabalhistas em tempo real, reduzindo custos e tempo de resolução pela metade.

Empresas que hoje contratam equipes jurídicas inteiras começarão a usar agentes autônomos treinados em leis brasileiras, como visto em séries como Black Mirror, mas com resultados práticos já testados em grandes corporações.

Caixa de ferramentas: próximos passos

  • Mapeie os 20% de casos que mais se repetem na sua empresa antes de adotar qualquer IA jurídica.
  • Organize históricos de atendimentos em bases estruturadas — é o que diferencia chatbots ruins de sistemas úteis como os da Birdie.
  • Acompanhe rodadas de investimento de fundos como Founders Fund e Sequoia para identificar as próximas ferramentas que chegarão ao mercado brasileiro.