Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirmou na formatura da Carnegie Mellon em maio de 2026: "Não há momento melhor para começar uma carreira". A declaração veio em meio a dados que mostram prêmio salarial médio global de 56% para profissionais com habilidades em IA, segundo o Barômetro de Empregos de IA 2025 da PwC.

O que Huang realmente disse

Huang argumentou que a IA cria empregos em engenharia de software, construção de data centers e fábricas de chips. Ele citou que todas as empresas de IA estão contratando intensamente. Se o profissional domina ferramentas de IA, então ele transforma tarefas repetitivas em ganhos de produtividade; senão, corre o risco de ficar para trás em funções expostas à automação.

Dados da PwC reforçam o ponto: competências em cargos expostos à IA mudam 66% mais rápido que em outros papéis. 100% dos setores brasileiros ampliaram o uso de IA em 2025. Setores mais expostos registraram crescimento de receita por trabalhador três vezes maior que a média.

O gargalo brasileiro

Menos de 1% dos executivos de grandes corporações no Brasil têm formação técnica em IA. A primeira graduação pública na área surgiu apenas em 2020, na Universidade Federal de Goiás. Sergio Gaiotto, da Claro, comparou o atraso ao da França. Tatiana Oliveira, da AI Brasil, apontou falta de governança de dados como obstáculo principal.

Ambev já automatizou 12% de tarefas repetitivas e liberou entre 40% e 50% do tempo das equipes de TI. O movimento mostra que empresas que investem em capacitação interna colhem resultados antes da formação universitária acompanhar.

O que isso significa na prática

Profissionais que aprendem a usar IA para processar grandes volumes de dados e aplicar inteligência emocional em decisões complexas saem na frente. Quem não atualiza as competências perde experiência acumulada quando jovens são removidos cedo do mercado, conforme pesquisa do G1 sobre redução de oportunidades para jovens em setores expostos.

72% das empresas no Brasil afirmam ter falta de profissionais com conhecimento técnico em IA, segundo levantamento da Veja.