A Forlex, startup fundada em Goiás em 2023, assinou contrato de US$ 32 milhões (R$ 160 milhões) com a Amazon Web Services. O valor dá acesso a centenas de GPUs NVIDIA B200 pelos próximos três anos. A empresa planeja chegar a mais de 1.500 GPUs até dezembro de 2026.
O que o contrato realmente entrega
Se a Forlex cumpre o cronograma, a infraestrutura sobe de algumas dezenas de GPUs para mais de mil e quinhentas em sete meses. Isso significa que o tempo de resposta da plataforma LIVIA pode cair e o volume de processos analisados pode crescer. Senão, a startup terá pago caro por capacidade ociosa.
Como a Forlex usa a capacidade hoje
A LIVIA atende 81 tribunais e mais de 1,5 milhão de advogados. A empresa relata eficácia entre 91 % e 93 % e taxa máxima de alucinação de 7 %. Esses números vêm de testes internos; não foram auditados por terceiros independentes até o momento.
Daniel Bichuetti, cofundador, co-CEO e CTO, afirma que o novo hardware permitirá rodar modelos maiores sem depender de APIs externas. O escritório no Vale do Silício, previsto para junho, deve coordenar parte dessa operação.
Comparação com outros movimentos da AWS no Brasil
Em setembro de 2025, o Google Cloud anunciou instalação de TPUs em São Paulo e meta de capacitar um milhão de brasileiros. Em novembro do mesmo ano, a OpenAI transferiu parte de sua carga para a AWS em acordo de US$ 38 bilhões. O contrato da Forlex é menor, mas é um dos primeiros de uma startup brasileira focada exclusivamente em IA jurídica.
Próximos passos práticos
- Verificar se o aumento de GPUs reduz o tempo de análise de petições em pelo menos 30 % (meta interna citada por Bichuetti).
- Acompanhar o relatório de alucinação após a migração para os novos chips B200.
- Observar se a abertura do escritório nos EUA gera contratos com escritórios americanos ou apenas marketing.