Em 13 de maio de 2026, a Selbetti anunciou a conclusão de sua primeira aquisição do ano ao incorporar a Zecode Technology, empresa sediada em São Caetano do Sul especializada em gestão de balanças, impressoras térmicas e coletores de dados. Com mais de 80 profissionais e faturamento anual de R$ 25 milhões, a Zecode passa a integrar a unidade Selbetti Label Solutions, marcando a 45ª operação de fusão e aquisição da companhia brasileira desde 2014.
O que essa união revela sobre o ritmo da automação física
A operação, vendida pela Beontag (investida do BTG Pactual), não se limita a adicionar números ao balanço. Ela amplia o ecossistema de Selbetti para operações intensivas em dados no varejo e na logística, setores onde cada balança ou leitor de código representa um ponto de contato entre o mundo físico e os sistemas digitais. Enquanto isso, a 5.700 quilômetros de distância, a empresa holandesa Intelic lançava o Intelic BASE, um hub que conecta fabricantes de drones de dez países europeus para agilizar compras por ministérios da defesa.
Como imaginar, em um mesmo dia, uma empresa brasileira comprando expertise em pesagem e etiquetagem e outra holandesa organizando a logística de veículos não tripulados para a defesa continental? As duas notícias parecem capítulos distintos de uma mesma narrativa: a crescente interdependência entre automação terrestre e sistemas aéreos autônomos. O que antes era separado por distâncias geográficas e finalidades — uma balança no supermercado, um drone de vigilância — agora se aproxima sob a lógica de eficiência e soberania tecnológica.
Perguntas que a tecnologia nos obriga a fazer
Quando algoritmos decidem quais dados coletar em um armazém ou qual rota um drone de defesa deve seguir, até onde vai a autonomia humana sobre essas escolhas? A ficção científica já nos alertava, em obras como as de Philip K. Dick, sobre máquinas que aprendem a decidir por nós. Hoje, a aquisição da Zecode e o lançamento do Intelic BASE materializam essa tensão: de um lado, a otimização de fluxos físicos; de outro, a busca por independência tecnológica em um continente fragmentado.
A Intelic BASE, comandada pelo CEO Maurits Korthals Altes, reúne fabricantes como Acecore Technologies e DeltaQuad para reduzir o tempo entre a identificação de uma necessidade e a implantação de um sistema não tripulado. A Selbetti, por sua vez, planeja realizar entre cinco e seis aquisições adicionais em 2026, com meta de atingir R$ 900 milhões em receita. Ambos os movimentos apontam para um futuro em que a robótica não é mais acessório, mas infraestrutura crítica.
Caixa de Ferramentas: o que fazer com essa informação
Para quem acompanha o setor, o próximo passo concreto é observar como Selbetti integrará a Zecode em seus sistemas existentes até o fim de 2026. Já no contexto europeu, acompanhar quais ministérios da defesa efetivamente contratam soluções via Intelic BASE oferece um termômetro da velocidade com que a soberania tecnológica avança. A reflexão mais útil permanece: cada nova aquisição ou hub de drones redefine os limites entre eficiência operacional e controle humano sobre as máquinas que nos cercam.