Em setembro deste ano, a Apple lançará seu primeiro celular dobrável no mesmo evento em que Tim Cook passará a presidência da empresa para John Ternus. Um vazamento de unidades físicas de demonstração, divulgado pelo canal Max Tech, revela que o chamado iPhone Ultra medirá 11 milímetros de espessura quando fechado e apenas 5,5 milímetros quando aberto. O formato final abandona a silhueta esticada de seus concorrentes e assume a proporção geométrica de um passaporte.

O paradoxo do espaço

O que nos atrai na ideia de um objeto que se dobra sobre si mesmo? Na ficção científica, dobrar o espaço-tempo é o artifício usado para atravessar distâncias impossíveis. No design industrial, dobrar o vidro e o silício é a tentativa de carregar o mundo em centímetros. A Apple desenhou um dispositivo que, aberto, empata em largura com o comprimento de um iPhone 17 Pro Max e, em altura, rivaliza com um iPad mini.

Para desbugar essas dimensões: o usuário terá um tablet compacto nas mãos que, ao ser dobrado, retorna a um quadrado com volume exato para abrigar a bateria. As peças vazadas por Vadim Yuryev mostram um painel fotográfico externo que ocupa três quartos da área traseira, contendo duas lentes. A engenharia conseguiu instalar o botão físico de Controle de Câmera na lateral, mesmo a peça inteira medindo menos de seis milímetros. Após anos de testes para eliminar o vinco central da tela, a dimensão escolhida aponta que a empresa prefere lidar com o desgaste mecânico em um eixo de dobra contínuo e mais largo.

Hardware como argumento

A apresentação deste aparelho possui uma função corporativa clara. Mark Gurman, repórter da Bloomberg, relatou que o anúncio servirá como palco de estreia para John Ternus no cargo de CEO. A marca troca um líder focado na logística da cadeia de suprimentos por um executivo forjado na engenharia de hardware puro. Ternus tem a missão de justificar tecnicamente o motivo pelo qual os consumidores deverão pagar os US$ 2.400 projetados em relatórios da produção chinesa.

A adesão da Apple ao formato valida os telefones flexíveis no mercado de massa e define os tamanhos exatos para o desenvolvimento de aplicativos na próxima década. Se você pretende comprar essa nova categoria de hardware, o próximo passo é ignorar a euforia e observar como o iPhone Ultra lidará com duas variáveis físicas que ainda causam quebras nos aparelhos das marcas rivais: a entrada de detritos microscópicos pelas engrenagens da dobradiça e as microfissuras que aparecem na película do painel OLED após alguns milhares de ciclos de abertura e fechamento.