Cinco em cada dez executivos que já utilizam inteligência artificial generativa colocaram agentes autônomos em produção nas suas empresas. O dado, extraído de uma pesquisa recente do próprio Google, dá o tom do Google Cloud Next 2026, evento que acontece entre 22 e 24 de abril em Las Vegas. A tecnologia deixou de ser um mero gerador de textos para se tornar um executor de processos. Mas como garantir que essa nova força de trabalho digital transite pelos sistemas da sua empresa sem abrir brechas de segurança?

A transição da IA: De conversadora a executora

Até pouco tempo, as interações com inteligência artificial funcionavam no modelo de perguntas e respostas. Você pedia um código, a IA entregava. Agora, os sistemas chamados de Agentic AI (IA de Agentes) assumem o controle operacional. Eles não apenas sugerem; eles acessam APIs (as pontes que conectam dois sistemas diferentes) e tomam decisões autônomas.

Durante o evento, o CEO do Google Cloud, Thomas Kurian, direcionou o foco da empresa para a aplicação desses agentes em setores complexos como varejo, finanças e saúde. O uso prático já aparece nos números da pesquisa: 49% das aplicações ocorrem no atendimento ao cliente, 46% em marketing e 46% em segurança da informação. Isso representa um salto operacional em relação às inovações de infraestrutura apresentadas durante a edição de 2025 do evento.

Aqui entra a minha pergunta para você: quando um agente autônomo acessa o seu banco de dados para resolver o problema de um cliente, quem está vigiando as portas de entrada e saída dessa informação?

Segurança como diplomacia digital: O caso Fortinet

A interoperabilidade entre uma IA e um sistema legado exige regras claras. É como a diplomacia entre dois países: você precisa de passaportes, alfândegas e acordos de extradição. No mundo digital, chamamos isso de segurança de carga de trabalho (workload security). No dia 21 de abril, véspera do início do evento, o Google elegeu a Fortinet como a Parceira do Ano de 2026 nessa categoria exata.

O prêmio reconheceu a plataforma FortiCNAPP. Para desbugar a sigla, CNAPP significa Cloud-Native Application Protection Platform (Plataforma de Proteção de Aplicações Nativas em Nuvem). Na prática, é um sistema de alfândega digital. Ele unifica a visibilidade e prioriza os riscos em ambientes que misturam múltiplos provedores de nuvem. A ferramenta integra o gerenciamento de postura de segurança, conhecido como CSPM, com a detecção de ameaças em tempo real.

O vice-presidente de Segurança em Nuvem da Fortinet, Vince Hwang, e o presidente do Ecossistema Global de Parceiros do Google Cloud, Kevin Ichhpurani, anunciaram integrações mais profundas entre as duas empresas. A unificação dos fluxos de risco reduz o ruído de alertas falsos e diminui o tempo médio de resposta a incidentes. Com agentes autônomos operando 24 horas por dia, a segurança precisa responder na mesma velocidade da máquina.

O desafio dos dados e das trilhas de auditoria

Colocar a IA para trabalhar sozinha esbarra na qualidade da informação. Arun Sundaram, diretor de serviços e soluções do Google na CDW, alertou que as empresas precisam resolver a qualidade dos dados, a conformidade e as trilhas de auditoria antes de soltarem seus agentes autônomos na rede corporativa.

Se um agente de IA toma uma decisão financeira errada baseada em um dado desatualizado, o erro escala em frações de segundo. É por isso que a infraestrutura física e lógica por trás dessas operações recebe atenção redobrada das empresas de nuvem, um movimento que o Google já vinha desenhando com a expansão de seus processadores e data centers focados em IA.

Sua Caixa de Ferramentas

A teoria da interoperabilidade autônoma e da segurança unificada precisa descer para o chão de fábrica da sua TI. Para aplicar as lições do Google Cloud Next 2026 e da parceria com a Fortinet na sua rotina, execute os seguintes passos:

  1. Mapeie todos os endpoints (pontos de conexão) que seus projetos de IA atuais conseguem acessar. Se a IA gerar um comando, quais sistemas acatam essa ordem sem verificação humana?
  2. Implemente trilhas de auditoria imutáveis. Você precisa saber exatamente qual agente acessou qual dado, em que minuto e com qual credencial.
  3. Revise sua segurança de nuvem. Ferramentas isoladas geram pontos cegos. Avalie soluções unificadas, como as plataformas CNAPP, que protegem a carga de trabalho desde o código até a execução em ambientes de nuvem híbrida.

A Fortinet e o Google mostraram que a IA autônoma não opera no vácuo. O próximo passo da tecnologia exige redes seguras onde essas máquinas possam acessar dados sem comprometer o negócio. Comece auditando as permissões das suas credenciais de API hoje à tarde.