Microsoft se Declara Inocente: A Investigação Oficial

Se seu SSD apresentou falhas misteriosas após instalar a atualização de agosto do Windows 11, então, para a Microsoft, a causa é outra. Senão, bem, o problema nunca existiu para começo de conversa. Em um comunicado que soa quase como um veredito forense, a gigante de Redmond concluiu sua investigação e negou publicamente qualquer conexão entre o patch de segurança KB5063878 e os relatos de corrupção de dados e morte súbita de SSDs e HDDs que pipocaram na internet.

De acordo com um alerta de serviço divulgado esta semana e visto pelo portal BleepingComputer, a Microsoft foi categórica: “Após investigação completa, a Microsoft não encontrou nenhuma conexão entre a atualização de segurança do Windows de agosto de 2025 e os tipos de falhas de disco rígido relatados nas redes sociais.” A empresa afirma ter trabalhado em conjunto com seus parceiros fabricantes de dispositivos de armazenamento para tentar replicar o erro, mas sem sucesso. A telemetria, que coleta dados de milhões de máquinas globalmente, também não mostrou nenhum aumento estatístico em falhas de disco ou corrupção de arquivos após a instalação do update para o Windows 11 24H2.

A Origem da Polêmica: Quando a Escrita Pesa no Drive

Toda essa história começou na semana passada, com uma onda de relatos vindos principalmente de usuários no Japão. O cenário descrito era bastante específico: os problemas de falha e inacessibilidade dos drives ocorriam durante operações de escrita intensiva, como copiar arquivos muito grandes (na casa das dezenas de gigabytes) ou uma grande quantidade de arquivos menores de uma só vez. Um detalhe importante era a condição dos discos: a maioria dos relatos apontava que as falhas aconteciam em SSDs com mais de 60% de sua capacidade de armazenamento já ocupada.

Enquanto alguns usuários relataram que uma simples reinicialização do sistema trouxe o drive de volta à vida, outros não tiveram a mesma sorte, com seus SSDs permanecendo inacessíveis. Os relatos mencionavam uma variedade de modelos e marcas, incluindo:

  • Corsair Force MP600
  • Maxio SSD
  • SanDisk Extreme Pro
  • Kioxia Exceria Plus G4
  • Kioxia M.2

Um ponto em comum entre muitos dos drives afetados era o uso de controladores das marcas InnoGrit e Phison, o que levou as atenções para uma das principais fabricantes do setor.

Phison no Banco das Testemunhas: 4.500 Horas de Inocência

Com os holofotes sobre seus componentes, a Phison, uma das maiores fabricantes de controladores NAND do mundo, também se pronunciou. A empresa confirmou que estava ciente da situação e trabalhando com a Microsoft para investigar. No entanto, seus próprios resultados corroboram a versão de Redmond. Conforme divulgado pelo TabNews, a Phison dedicou mais de 4.500 horas cumulativas de testes e realizou mais de 2.200 ciclos de verificação nos drives que foram apontados como potencialmente afetados.

O resultado? A empresa também não conseguiu reproduzir o problema. Um porta-voz afirmou que, até o momento, nenhum de seus parceiros ou clientes diretos relatou que suas unidades foram de fato afetadas pelo suposto bug. Basicamente, tanto o desenvolvedor do sistema operacional quanto um dos principais fabricantes de hardware investigaram e chegaram à mesma conclusão: o problema não está onde todos estavam apontando.

Veredito: Caso Encerrado ou Apenas Adiado?

Com a Microsoft e a Phison negando a existência de uma falha sistêmica, os usuários ficam em uma situação delicada. A recomendação inicial, que circulou como medida de precaução, era evitar operações de escrita pesada em drives com mais de 60% de ocupação. Se o problema oficialmente não existe, essa recomendação perde o sentido. Então, a lógica diz que podemos voltar a usar nossos computadores normalmente. Senão, se o problema for real, mas extremamente raro e difícil de replicar, a cautela ainda pode ser a melhor amiga do usuário.

A Microsoft finaliza seu comunicado afirmando que, como sempre, continuará monitorando o feedback após cada lançamento de atualização e investigará quaisquer relatos futuros. Para o usuário final, a conclusão é um grande “depende” – a palavra que todo analista lógico detesta. A verdade, por enquanto, é que a batata quente voltou para a mão de quem a relatou, e o mistério dos SSDs mortos permanece, oficialmente, sem um culpado.