Nubank põe fim ao home office e anuncia modelo híbrido a partir de 2026

A era do trabalho 100% remoto está com os dias contados no Nubank. O maior banco digital do Brasil comunicou o fim do seu modelo de home office integral, estabelecendo uma transição para um regime híbrido que começará em julho de 2026. A decisão, anunciada pelo CEO David Vélez em um comunicado interno, impactará cerca de 9,5 mil funcionários e tem como objetivo, segundo o executivo, preservar a cultura da empresa, estimular a criatividade e garantir a excelência operacional. Vélez reconhece que a mudança, embora benéfica para alguns, certamente irá gerar 'conturbação' para outros.

O Calendário da Transição: Como o Novo Ecossistema Vai Funcionar?

A mudança de protocolo não será abrupta. O Nubank estabeleceu um cronograma claro e um período de adaptação de oito meses, permitindo que os funcionários organizem suas vidas pessoais. A partir de julho de 2026, a presença no escritório será exigida em dois dias da semana. Seis meses depois, em janeiro de 2027, o modelo evolui para três dias presenciais, consolidando o que muitas empresas consideram o arranjo híbrido padrão.

A nova política de conexão física também define regras geográficas. Segundo o comunicado, colaboradores que residem a até 50 quilômetros de um escritório oficial poderão optar por trabalhar a partir dele. Já para aqueles que moram a mais de 50 quilômetros, a regra é mais direta: deverão comparecer ao escritório que lhes for atribuído. Para facilitar essa transição, o Nubank informou que oferecerá auxílio de realocação aos profissionais que precisarem se mudar para mais perto dos seus novos 'endpoints' de trabalho.

A Diplomacia do CEO: 'Custos Invisíveis' e o Fim dos 'Quadrados'

Para David Vélez, a decisão foi difícil, mas necessária para corrigir o que ele chama de 'custos invisíveis' do trabalho remoto. Em sua mensagem, o CEO expressou preocupação com um ambiente onde os benefícios do home office eram óbvios, mas suas desvantagens eram sutis e corrosivas. 'Ao longo dos últimos anos, mencionei recorrentemente que me preocupo com o nosso ambiente prioritariamente remoto', afirmou Vélez, segundo o portal Baguete.

O fundador do Nubank foi direto ao diagnosticar as falhas na 'API' de comunicação humana que o trabalho remoto impõe. 'Videochamadas reduzem as pessoas a quadrados. As conversas se tornam transacionais', declarou. Para ele, os momentos espontâneos, que formam o verdadeiro tecido conectivo de uma cultura corporativa — 'a troca no corredor, o entusiasmo compartilhado ao resolver um problema, a celebração após um lançamento difícil' — simplesmente desaparecem nesse modelo. A volta ao escritório, em sua visão, facilitará o 'networking fortuito', o aprendizado por observação e a agilidade na resolução de problemas que só a proximidade física permite.

Construindo Novas Pontes: A Expansão dos Hubs Físicos

A mudança de política não é apenas uma diretriz no papel; ela vem acompanhada de investimentos em infraestrutura física, como se o banco estivesse atualizando seu hardware para suportar um novo software de colaboração. O Nubank anunciou que irá investir em melhorias nos seus prédios já existentes em grandes centros como São Paulo, Bogotá e Cidade do México.

Além disso, a empresa planeja inaugurar novos escritórios para equipes específicas, expandindo seu ecossistema físico para outras cidades. Os planos incluem novos hubs em:

  • Campinas, Belo Horizonte e Rio de Janeiro (Brasil)
  • Buenos Aires (Argentina)
  • Área metropolitana de Washington D.C., Miami e Palo Alto (Estados Unidos)

Esses novos locais se somarão aos hubs de talentos que a empresa já mantém em Berlim, Montevidéu e Durham.

Nem Toda Conexão Exige um Cabo: As Exceções da Nova Regra

Apesar da nova diretriz, o Nubank parece entender que nem toda função se beneficia de um mesmo protocolo de trabalho. A empresa esclareceu que algumas funções continuarão operando de forma totalmente remota, dada a natureza de suas atividades. Além disso, foi estabelecido um canal para que os funcionários possam solicitar exceções ou extensões do período de transição.

Essas solicitações serão avaliadas com base em uma série de critérios, incluindo senioridade do profissional, seu histórico de desempenho, a distância do escritório e condições médicas específicas. Isso demonstra uma tentativa de equilibrar a nova visão estratégica com as realidades individuais de sua força de trabalho.

A decisão do Nubank, que antes usava o trabalho remoto como um forte atrativo em seu 'employer branding', representa uma recalibração significativa em sua filosofia de trabalho. A questão que fica é: essa nova arquitetura de colaboração, que mistura o digital com o físico, conseguirá fortalecer a cultura e a inovação que transformaram o Nubank em um gigante, ou irá desconectar talentos que foram atraídos justamente pela promessa de um ecossistema sem fronteiras geográficas? A resposta começará a ser escrita em 2026.